O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 12/10/2018

Considerado um dos mais célebres romances brasileiros, ‘‘O Guarani’’, de José de Alencar, visa transformar a figura do índio como herói da nação e valorizá-lo. Ainda que se trate de um cenário fictício, a literatura e a realidade se diferem, visto que, no Brasil hodierno, é latende a desvalorização, desumanização do indígena e, por conseguinte, o desconhecimento da própria identidade brasileira, e isso tem se mostrado como um verdadeiro desafio a ser superado. Destarte, é preciso não só considerar as razões dessa prática, bem como, avaliar os impactos sociais decorrentes dela.

Cabe pontuar, em primeira análise, que a garantia da preservação cultural indígena é importante para a perpetuação de seus costumes e sobrevivência na nação. Neste viés, não obstante a isonomia e o direito a sua organização serem asseguradas pelo quinto artigo da ‘‘Constituição Cidadã’’ - promulgada em 1988, no Governo de Sarney -, esse grupo continua marginalizado na contemporaneidade, posto que são alvos comuns de visões estereotipadas, no qual são idealizados como analfabetos, pobres e irracionais, além do pensamento do índio como um ser mitológico, distante da realidade. Ademais, a negligencia governamental, retratada nos escassos investimentos com a Fundação Nacional do Índio e o crescimento da bancada ruralista, gera uma série de consequências maléficas a esses indivíduos.

Outro aspecto importante, nesse contexto, é o ferimento dos direitos constitucionais dos indígenas, uma vez que, a intolerância aos fatores étnicos formadores do Brasil perdura até a atualidade. Neste âmbito, a problemática da retirada de terras dos índios são manifestadas, principalmente, em agressões desumanas que potencializam a exclusão e exterminação da cultura, dos costume e das línguas do grupo em análise. Outrossim, a sociedade ao inferiorizar tais indivíduos, por meio de preconceitos  corrobora com a compreensão retrógrada e romantizada dos índios, intensificando a violência com as tribos. Merece-se ponderar, nessa temática, que consoante Émile Durkheim, o suicídio anômico ocorre quando um grupo social perde sua identidade. Desse modo, a taxa de suicídios dos indígenas encontra-se em constante crescimento, devido aos confinamentos em reservas e terras.

Diante dos argumentos supracitados, cabe ao Estado - responsável por manter a ordem, promover o bem-estar e o progresso da sociedade - desenvolver ações afirmativas que visem garantir a dignidade. Para isso, é dever do Ministério da Educação a reconstrução da visão do índio no país, por meio de palestras e debates, ministradas por especialistas e representantes indígenas, de forma ativa nas instituições de ensino, com o fito de reparar os esteriótipos enraizados no Brasil. Além disso, urge a fiscalização, pelo Poder Executivo, para o cumprimento da lei e demarcação de terras indígenas.