O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 13/10/2018

O escritor, Stefan Zweig, afirmou em sua obra que o Brasil era um país do futuro, ou seja, grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser  efetivadas. Contudo, quando se observa os desafios enfrentados pelos índios no Brasil atualmente, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, a falta de atenção do Estado à questão atrelado a desvalorização da cultura de tal grupo contribui para a persistência dessa problemática.

Em primeiro lugar, é importante salientar a inobservância estatal para com os indígenas. Sob esse aspecto, em consonância com o filósofo Norberto Bobbio, a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar o direito ao respeito e consideração por parte do Estado. Nesse sentido, é notável que o poder público não cumpre seu papel quanto fornecedor de direitos, uma vez que não garante aos índios a posse de terras que tais ocupam, o que caracteriza um irrespeito com tal grupo. Sob esse viés, tal conjuntura reflete em conflitos por territórios, o que é grave, pois sem um local tais povos acabam configurando a perda de suas identidades. Logo, é indubitável a efetivação por parte do Estado, do direito de terras à população indígena.

Ademais, é válido destacar, ainda, a desvalorização da cultura dessa substancia parcela da sociedade. Tal desvalorização não é algo recente: no período da colonização, os portugueses obrigaram os índios a serem catequizados, deixando de lado suas tradições. Entretanto, apesar de datar séculos passados, essa desvalorização reverbera hodiernamente, calcada na ideia de inferiorização, que considera os índios apenas seres que residem na floresta e andam sem vestimentas. Desse modo, tal grupo é visto com indiferença pela sociedade.

Portanto, é necessário que o Poder Legislativo, em parceria com Fundação Nacional do Índio (FUNAI), proporcione aos índios maiores posses de terras, mediante a implantação de leis e sanções para aqueles que desrespeitarem tais normas -com multas e processos-, a fim de garantir a tais povos seus direitos sobre suas terras e, por conseguinte, a preservação de suas culturas. Paralelamente, cabe a mídia, por meio de propagandas e ficções em telenovelas, deliberar acerca da importância da valorização dos índios, para que a sociedade não enraíze o etnocentrismo do período colonial.