O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 16/10/2018

Na tão lembrada carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão mais famoso da história brasileira relatou a presença no “Novo Mundo” de um povo que, sob o olhar de soberania europeu, precisava ser civilizado: os índios. Engana-se quem pensa, porém, que tais pensamentos se detiveram ao século XVI; ainda hoje, eles corroboram para a manutenção de estereótipos e para a exclusão de um grupo cuja população foi severamente diminuída. Consonância de uma nação não participativa e de um governo inobservante à Constituição Federal, essa realidade exige medidas urgentes.

A princípio, é fundamental pontuar que a ampla presença de traços culturais indígenas na identidade cultural brasileira, como a utilização da mandioca na culinária e da flauta na música, não impede a ocorrência da desvalorização sofrida por esse grupo. Prova disso é a subjugação evidenciada, por exemplo, quando se coloca em segundo plano a participação dos índios na sociedade de na política. Dessa forma, embora o ser humano seja intitulado, sob a perspectiva aristotélica, “político e naturalmente sociável”, a população do país não parece dar importância à preservação dos costumes e as existência indígena, haja vista que dos mil povos presentes na colonização, apenas 253 permanecem, segundo dados dos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fato que demonstra tanto o descaso do Estado quanto o desinteresse da população em exigir mudanças no tratamento dados aos índios.

Sob essa conjectura, a tese marxista disserta acerca da inescrupulosa ação do Estado, que assiste apenas a classe dominante. Diante da extração ilegal de recursos hídricos e minerais em terras indígenas, os governantes, alienados pelo capitalismo e pelos subvertidos valores líquidos da modernidade, propostos por Zygmunt Bauman, negligenciam a necessidade de alterações nesse quadro. Como consequência, áreas de preservação ambiental que, como consta na Constituição, só podem ser aproveitados com autorização e consenso entre Governo e nativo, são então alvo de ilegalidade e os índios perdem cada vez mais suas terras e seu direito de expressão.

À luz desse cenário, é imperioso construir caminhos para acabar com a desvalorização do índio no país. Compete às escolas, portanto, a disponibilização de livros abrangentes de toda a história dos índios e da influência e importância de sua cultura ao Brasil, além da promoção de aulas sobre literatura indígena, a fim de despertar o interesse do aluno pelo assunto e estabelecer, desde crianças, a criticidade a respeito do modo como tal âmbito é tratado. Ademais, cabe ao Judiciário a melhor aplicação das leis, com o propósito de punir os possíveis infratores em terras indígenas e servir de exemplo aos próximos. Por fim, é papel do Estado investir em programas de fiscalização por satélites, para que seja de conhecimento governamental a expansão ilegal de áreas sobre terras nativas.