O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 17/10/2018
No processo da colonização brasileira é possível perceber, sob o olhar dos portugueses de soberania, a presença de um povo que precisava ser civilizado: os índios. Isso ficou evidenciado na famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, que foi responsável por descrever a nova terra encontrada. Atualmente, a população brasileira demonstra que herdou esse olhar e que convive com os indígenas de maneira diferente. Os colonizadores fizeram o trabalho sujo do genocídio, porém nós contribuímos para que a situação não fosse revertida. Os povos indígenas uma vez despidos de voz e terra, continuam, dia após dia, sendo dizimados.
Em primeiro plano, é necessário evidenciar o fato de que os brasileiros do século XXI ainda pensam como os portugueses do século XVI. Isso porque a cultura indígena é subjugada, sendo considerados selvagens e tendo sua participação na sociedade colocada em segundo plano. Desse modo, os brasileiros são colocados como centro, e os índios como bárbaros, mais de 5 séculos após a colonização. Prova disso, é o fato de classificarmos a língua portuguesa como oficial e as línguas indígenas como dialetos, assim como a nossa cultura é classificada como rica e civilizada, a deles é considerada, por muitos, folclore.
Além disso, nota-se que a questão cultural não é o único problema. Isso já que os índios ainda precisam lutar por terras, tendo em vista que os latifundiários vem tomando essas terras para alocar atividades comerciais, como agricultura e pecuária. Essa situação vem prejudicando muitas tribos e impedindo o avanço de governo brasileiro e de ONG’s que tentam assegurar o direito de existência desses povos. As terras indígenas também são muito disputadas pelo setor da mineração, isso porque essa atividade precisa ser realizada em locais que nunca foram explorados pelo homem, segundo dados do IBGE aproximadamente 34% das terras indígenas na amazônia legal são cobiçadas pelo setor da mineração.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que essa situação deixe de ser sustentada no Brasil. Cabe a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em parceria com o Governo Federal, impedir o avanço de atividades, como a agricultura e a pecuária, para essas terras, por meio da demarcação das terras indígenas, para que os direitos de todos os cidadãos sejam colocados em prática. Ao Ministério da Educação, por sua vez, compete realizar debates nas instituições de ensino, capazes de desconstruir a prevalência de uma cultura sobre a outra, para que a inferiorização do índio seja repudiada no território brasileiro. Assim, o país poderá alcançar a igualdade para todos os cidadãos.