O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 21/10/2018

A valorização da figura dos indígenas nas obras da primeira fase romântica da literatura brasileira se contrapõe com a atual realidade social, política e espacial desses povos, que é marcada pela extrema vulnerabilidade e descaso. Portanto, medidas devem ser tomada para reverter essa situação, uma vez que o preconceito enraizado e a negligência do poder público são as bases dessa problemática.         Convém ressaltar, a princípio, a visão etnocêntrica que persiste na conjuntura contemporânea brasileira. Nesse sentido, muitas pessoas acabam por esquecer suas raízes históricas e, consequentemente, proliferam discursos carregados de preconceitos que não se distanciam do conteúdo da famosa carta de Pero Vaz de Caminha, datada do século XV. Com isso, os índios são tidos como povos atrasados culturalmente e intelectualmente, uma noção errônea da realidade, uma vez que são responsáveis por uma enorme herança na formação dos hábitos e costumes que formam a identidade do Brasil. Assim, garantir e respeitar a livre manifestação de sua cultura e seu espaço é uma maneira de fazer jus a diversidade étnica que é característica do país.

Além disso, o próprio poder público se omite, em muitas situações, de atender os direitos que são salvaguardados na Constituição Cidadã. Nesse sentido, o descaso com o Estatuto do Índio no que se refere, principalmente, ao acesso e poder de terras traz como efeito os altos índices de violência que vitimizam os indígenas, só ano de 2017, houveram 110 casos de homicídio decorrente da briga por posse de regiões com latifundiários, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário. Desse modo, essa realidade evidencia uma tendência de extinção de diversas tribos, uma vez que a demarcação espacial é crucial para preservação e manifestação cultural, ademais, a migração desses povos para outras localidades pode resultar em níveis alarmantes de miséria.

Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter a situação de omissão em que os indígenas brasileiras se encontram. Para tanto, é necessário o papel da escola,por meio de palestras e oficinas,  oferecer o debate sobre a importância de respeitar as mais diversas manifestações culturais, no intuito de ampliar o contato com os valores empáticos. Ademais, cabe as ONGs em parceria com órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a promoção de campanhas para disponibilizar assessoria jurídica as tribos nos processos de demarcação de terras, com objetivo de garantir mais rapidez. Dessa forma, a realidade proposta na prosa romântica indianista fará sentido no atual contexto do país.