O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 17/10/2018

Segundo o IBGE (Estatuto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 5 milhões de indígenas viviam no Brasil no ano de 1500. No entanto, com a chegada dos europeus ao continente americano houve um verdadeiro genocídio da população nativa tanto por conta das doenças trazidas pela Europa quanto pela escravização dos índios. Isso sem contar que as tribos indígenas passaram por um processo de perda cultural e territorial que é refletido até os dias de hoje. Apesar de existirem legislações como o Estatuto do Índio e a Constituição de 1988 que reconhecem os povos nativos e seus direitos, os conflitos territoriais e culturais persistem até os dias de hoje.

“Vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão”. O trecho da música “Que país é esse” da banda Legião Urbana evidencia o conflito existente entre os interesses econômicos e a preservação das terras indígenas. Se por um lado existe grande preocupação acerca da preservação ambiental e da manutenção da diversidade cultural dos povos nativos, por outro lado nos deparamos com o intenso interesse econômico por parte dos latifundiários e mineradores do país. Assim, a falta de representatividade política dos povos nativos somada à ineficácia da demarcação das terras indígenas pelo governo acaba impedindo a plena garantia dos direitos desses povos.

Além disso, os indígenas sofreram também um intenso processo de aculturação durante o período colonial, isto é, houve uma modificação na cultura indígena em razão do contato com a cultura europeia. Porém, é importante ressaltar que essa mudança não ocorreu de forma pacífica uma vez que os europeus trataram com desprezo a cultura e os costumes das tribos indígenas e impuseram sua própria cultura a fim de civilizar os nativos. Contudo, ao contrário do que muitos acreditam, a aculturação dos povos indígenas ainda acontece na sociedade brasileira. Com a ascensão do modelo capitalista e a maior exploração da natureza, o número de índios com problemas como alcoolismo, obesidade e depressão vem crescendo cada vez mais o que é resultado direto do contato entre as diferentes culturas.

Logo, é fundamental que órgãos como a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) assegurem os direitos dos povos nativos estabelecidos pela legislação, visando manter a igualdade e a justiça social. Além disso, o Ministério da Educação deve incorporar o ensino da cultura indígena no currículo escolar, a fim de preservar a diversidade cultural dos povos nativos e demonstrar a importância dos costumes indígenas na formação da cultura brasileira. Por fim, a mídia deve criar filmes e programas que estimulem a valorização da cultura indígena como é o caso da obra Iracema de José de Alencar, que busca, através da escrita, criar uma visão positiva dos povos nativos e construir a identidade nacional.