O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 22/10/2018
Como se sabe,o Brasil é um Estado Democrático, e portanto, está teoricamente consonante com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que assegura tratamento igualitário a todo cidadão. Contudo, a permanência de conceitos etnocêntricos na sociedade brasileira
têm gerado grande apreensão por parte dos indígenas, que temem ser subjugados culturalmente ou deslocados de suas regiões sob pretexto econômico. Assim, a abordagem errônea aos aborígenes se constitui como um grave infortúnio social.
Em primeiro plano, é essencial salientar a perversa herança colonial, a qual contribui para a hostilidade despendida aos indígenas.À título de ilustração, em sua carta de descobrimento, Pero Vaz de Caminha atribuía aos nativos uma única função: serem catequizados. Hodiernamente, tal visão preconceituosa se perpetuou e os costumes dos autóctones são definidos de maneira superficial, desprezando seu valor como prática identitária. Sua linguagem por exemplo, é vista como mero dialeto, inferior ao português padrão.
De outra parte, é perceptível a existência de interesses praticamente inconciliáveis entre a soberania indígena e o anseio por lucro de ruralistas e extrativistas. Na música “Que País é Esse”, Renato russo já apontava esse dilema em : “mas o Brasil vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas, dos nossos índios num leilão”. Caso análogo ocorreu no Maranhão em 2017, onde 13 aborígenes ficaram feridos em disputa por terras com fazendeiros.
Por conseguinte, é notório que a questão do índio brasileiro é um impasse que deve ser solucionado iminentemente. Torna-se imperativo que o Estado, na figura da FUNAI, agilize os processos de demarcação de áreas em que o uso é exclusivo dos indígenas. Com isso, os nativos não terão sua existência desarticulada pelos interesses econômicos e poderão permanecer em ambientes que contêm sua lógica sociocultural.