O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 28/10/2018

A primeira geração romântica do Brasil - no século XIX - está pautada  no nacionalismo e na exaltação da figura do índio como herói,  representante da cultura propriamente brasileira. Todavia, o reconhecimento cultural, na contemporaneidade, não é usufruído na prática pelos povos indígenas, devido a negligência à tomada de terras dos índios e o preconceito ainda enraizado. Com efeito, não é razoável que o país esteja inerte ao problema.

Em primeiro plano, o preconceito aos indígenas fragiliza o seu reconhecimento jurídico. A esse respeito, o Estatuto do Índio, promulgado em 1973, garante o respeito aos valores culturais dos índios, como a língua nativa. Ocorre que, o desprezo do Estado em reconhecer o enraizamento de centenas  de línguas, no português atual, favorece a manutenção do preconceito linguístico, num país cuja colonização foi híbrida. Ademais, sua colocação no corpo social como minoria potencializa sua exclusão, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a  população indígena representa pouco mais de 0,45% da população, o que ocasiona grave problema na sociedade brasileira.

Outrossim,  a inércia do Governo e da sociedade em reconhecer as terras indígenas atrasa a resolução do problema. Nesse viés, o contexto democrático garante cidade não só à maioria, mas para a minoria. Entretanto, enquanto a demarcação das terras indígenas, garantida na Constituição de 1988, for interrompida o avanço da agropecuária intensificará o conflito entre fazendeiros e os verdadeiros donos da terra. Além disso, o manejo insustentável da terra reforça o fim da relação  harmoniosa do índio com a natureza. Nesse viés, enquanto esse impasse persistir, a população terá que conviver com a queda de um dos direitos garantidos na Carta Magna: o equilíbrio ambiental.

Em suma, torna-se urgente a necessidade de que a cultura e imagem do índio seja preservado, conforme a 1ª Geração do Romantismo no país. Cabe ao Ministério da Educação (MEC) fomentar, por meio da disciplina de História, o ensino das culturas indígenas e sua importância na formação identitária do Brasil, de modo que o preconceito seja desconstruído desde o ensino escolar. Ademais, a população deve impulsionar o Estado, junto a Fundação Nacional do Índio (Funai), a fiscalizar a demarcação das terras indígenas. Com essas medidas, o preconceito e exclusão dos indígenas rompido e os direitos constitucionais não serão negligenciados.