O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 23/10/2018

“Quem descobriu o Brasil não foi Cabral.” A letra da canção Não Foi Cabral de MC Carol enfatiza os problemas trazidos pela colonização portuguesa, com foco no martírio da população indígena, que já vivia aqui muitos anos antes. Hodiernamente, a violência e o não reconhecimento da posse histórica da terra persistem, frutos da ganância de mineradoras e do setor agropecuário, além do preconceito da sociedade sobre a vida do índio, alimentado pela lógica do capitalismo utilitarista.

Precipuamente, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário, a luta pela demarcação de terras continua gerando violência, tais como estupros, assassinatos e até envenenamento das águas usadas pelas tribos. Ademais, o principal inimigo da causa é o agronegócio, que insiste em expandir a fronteira agrícola de forma desenfreada. Um exemplo disso é o Parque Nacional do Xingu, o qual se tornou um oásis em meio a imensas plantações de soja. Além disso, o solo virgem das reservas é alvo da exploração ilegal de mineradores, que usam a força e o poder econômico para questionar as demarcações.

Por outro lado, a visão preconceituosa sobre a suposta vida fácil dos povos indígenas alimenta uma visão utilitarista da terra e ajuda a deslegitimar o problema. Na obra Macunaíma de Mario de Andrade, por exemplo, a frase mais pronunciada pelo protagonista era " ai, que preguiça!", o que reforça o esteriótipo de indolência.

Destarte, medidas precisam ser tomadas para reverter esse quadro de raízes históricas. Sendo assim, o Ministério Público deverá destacar um quadro específico para atuar como apoio à Fundação Nacional do Índio e à Secretária dos Direitos Humanos na fiscalização, denuncia e agilização dos processos de demarcação das terras indígenas. Além disso, deve-se criar uma semana de celebração aos povos indígenas nas escolas, promovendo debates e mostrando como os traços indígenas se fazem presentes no vocabulário e no cotidiano de todos nós. Assim, poderemos criar cidadãos conscientes e simpáticos aos nossos colonizadores de fato.