O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 23/10/2018

Por volta do século XIX, período  romântico da literatura brasileira, a  figura do índio - calcada no preceito do “bom selvagem” de Rousseau - era mitificada e idealizada, sendo frequentemente comparada a de um cavaleiro medieval. Entretanto, no Brasil hodierno, a presença aborígene no panorama social tem se mostrado mais concreta, tendo em vista as questões relacionadas a sua perda identitária e a violação de suas terras.

Em primeira análise, cabe pontuar que, ainda hoje, os povos indígenas sofrem com o processo de aculturação .Tal cenário é decorrente, sobretudo, do desenvolvimento dos programas  de integração nacional- como a construção da rodovia transamazônica- somado ao maior contato da nova geração indígena com a cultura “civilizada” e com as inovações da modernidade - como a internet. Nesse ínterim, de acordo com a “tábula rasa”, de John Locke, nascemos como uma folha em branco e adquirimos o conhecimento por meio da experiência. A partir disso, compreende-se como a atenção dos índios voltada, maiormente, para experimentação da cultura e da língua externa em detrimento das suas  pode corroborar a dissolução de idiomas e elementos tradicionais desse grupo.

Outrossim, é importante destacar que, apesar da instituição da inviolabilidade das terras indígenas demarcadas, pela Carta Magna de 1988, essas são constantemente invadidas, configurando um desrespeito às leis vigentes. Isso se dá, principalmente, em razão do avanço da fronteira agrícola sobre essas áreas, aliado à débil fiscalização por parte dos órgãos responsáveis pelo zelo das terras aborígenes. Com efeito, evidencia-se uma violação do Estado Democrático de Direito, a qual acaba gerando uma série de conflitos entre índios e latifundiários que tentam tomar suas terras legalmente protegidas. Diante disso, urge uma tomada de medidas pelo Estado para resolver esse impasse.

Torna-se evidente, portanto, que o contornamento dos dilemas contemporâneos enfrentados pelos indígenas perpassa pela revalorização cultural, e o asseguramento do direito à terra. Destarte, visando a manutenção da diversidade cultural dos povos tupiniquins, é mister que haja uma reforma na educação de base fornecida a esses. Isso pode ser proporcionado pelo Ministério da Educação, com o apoio da Fundação Nacional do índio(FUNAI), mediante a inserção de elementos tradicionais das tribos e de suas línguas maternas no processo de ensino - o que poder ser feito com o auxílio dos anciãos indígenas. Ademais, é imperioso que os poderes Estaduais da Região Norte do país, juntamente com a FUNAI, promovam o aumento da fiscalização e das ações protetivas nas terras indígenas,  o que pode ser feito através do maior policiamento aéreo, a fim de identificar violações das áreas demarcadas e evitar possíveis desavenças.