O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 23/10/2018
A primeira geração romântica caracterizou-se pela valorização do índio no plano literário, de modo que esses indivíduos foram postos como símbolo do heroísmo nacional. Apesar disso, é válido destacar que os nativos não experimentam, na atual conjuntura brasileira, a mesma valorização proposta pelas obras ficcionais do Romantismo. Nesse contexto, a problemática reflete um cenário desafiador na atualidade, seja pela herança cultural, seja pela omissão estatal.
Em primeiro plano, Gilberto Freyre, em sua livro ‘’Casa-grande e senzala’’, exprime que a realidade do Brasil, até o século XIX, estava compactada no interior da casa-grande, cujos costumes e tradições acompanhavam os valores da elite. Sob tal ótica, cabe comentar que os nativos, ao longo da historiografia nacional, foram alvos de discriminação e preconceito, uma vez que não estavam inseridos dentro do padrão determinado pela sociedade colonial, e, consequentemente, em virtude do olhar etnocêntrico ocidental – que os considerava como seres inferiores e incivilizados – acabou por gerar uma periferização social desses cidadãos. Exemplo disso é a carência de indígenas nos mais diversos setores do meio coletivo, tal como a representação em bancadas políticas, o que culmina na dificuldade de garantir-lhes os seus respectivos direitos.
De outra parte, é significativo destacar a negligência governamental diante da questão. Dentro dessa lógica, Aristóteles, em sua obra ‘’Ética a nicômaco’’, alega que a política deve ser utilizada para garantir a felicidade dos cidadãos, de modo que o Estado cumpra sua função mínima, em ser o agente fornecedor de princípios básicos. No entanto, o postulado do filósofo não é vivenciado, na prática, pela comunidade autóctone, haja vista que, apesar de a Constituição Federal – norma de maior hierarquia do país – assegurar a essas pessoas algumas prerrogativas básicas – como o direito à dignidade e à posse de terras originárias – tais concessões não são cumpridas, efetivamente. Esse cenário reflete-se nos inúmeros combates entre nativos e grandes latifundiários, o que traduz a insuficiência estatal em face de suas diretrizes e, também, perante a preservação dos direitos indígenas.
Destarte, a problemática constitui um grave obstáculo social e, sendo assim, medidas são imperativas, a fim de mitigar a questão. Nesse sentido, compete ao Ministério da Cultura, em parceria com ONGs, elaborar ações que contemplem a valorização do índio, com destino a toda a comunidade civil, por meio de palestras com historiadores, e oficinas culturais, com o fito de disseminar a importância histórica do nativo na formação do território nacional e, por conseguinte, atenuar o preconceito relativo a tais indivíduos. Como resultado, poder-se-á, de fato, experimentar a valorização à comunidade autóctone, conforme propunha a primeira geração do Romantismo.