O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 24/10/2018
O quadro expressionista “O grito”, de Edvard Munch, retrata um indivíduo em estado de espanto diante de um contexto social.Essa mesma sensação se tem ao avistar o Brasil e a degradante assistência a população indígena.Hodiernamente,é axiomático que a ausência governamental na demarcação de terras em conjunto a estigmas históricos invisibilizam os direitos constitucionais dessa população.
Em primeira análise,deve-se ater que apesar da existência do Estatuto do Índio e de leis protetoras na atual Carta Magna, ambos documentos não são cumpridos.Como ilustrado no filme “Sertão Serrado”,as terras de valores culturais e identitários são tomadas dessa população por latifundiários e industriais do agronegócio.Essa problemática ocorre pois há interesse financeiro na plantação de cana e soja,com a expansão da fronteira agrícola atuando em prol da Bancada Ruralista.Diante disso,é perceptível a ausência de fiscalizações do poder público nesse local e a população indígena submetida a violência física, expulsões e genocídios demostrando que seus direitos não são efetivados no país.
Além de conflitos por terras,outro desafio enfrentado por indígenas relaciona-se com estigmas históricos que levam a sua marginalização.Assim,cerca de 300 mil índios -dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)- que decidem viver no meio urbano tem dificuldades de inserção social. Esse cenário possui raízes permeadas ao longo da História brasileira, que vão desde visões vexatórias na Carta de Pero Vaz de Caminha ao índio preguiçoso em Macunaíma,de Mário de Andrade. Desse modo,instituições como de ensino e a mídia tendem a perpetuar essas visões preconceituosas como representá-los somente no dia do índio e com uma só etnia até personagens incivilizados em filmes e novelas.Consequentemente,aqueles que buscam melhores condições de vida e emprego- longe de conflitos por terras- sofrem com o desemprego e difícil inserção no meio educacional por visões deturpadas sobre sua cultura no país.
Portanto,para valorização dos nativos a ideia de Durkheim-de que a sociedade só funciona em conjunto- deve ocorrer.Para isso,cabe à FUNAI(Fundação Nacional do Índio)em parceria com ONGs,a contratação de agentes fiscais para trabalho na demarcação de terras e sua fiscalização, mensalmente, nas aldeias,por todo país, a fim de garantir direitos constitucionais e preservar a cultura desses povos.
Outrossim, é mister que instituições de ensino atuem com a promoção de debates e palestras sobre a importância dos índios e sua história, nas aulas semanais em prol do respeito e conhecimento pela população.Por fim,para inseri-lós de modo imediato,cabe ao Poder Executivo a reserva de porcentagens em cargos de empresas e aumento de vagas em universidades para inclusão urbana. Assim,caminha-se-á rumo a um Brasil democrático e distante daquele visto pelo indivíduo na obra de Munch.