O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 24/10/2018
Na Primeira Geração do Romantismo, no século XIX, a figura do índio era valorizada, sendo retratado de maneira heroica. Todavia, essa visão idealista foi consolidada apenas no plano literário, uma vez que os povos aborígenes sempre foram e ainda são vítimas do preconceito e da violência na sociedade brasileira. Nesse contexto, deve-se analisar como o herança histórico-cultural e a negligência estatal dificultam a valorização dos indígenas.
Em primeiro lugar, o preconceito histórico-cultural é o principal responsável pela depreciação de tal cultura. Isso porque, no período colonial, os portugueses, com seu olhar europeu de soberania, fomentaram na consciência coletiva a inferiorização desses povos por meio da sobreposição da religião, língua e costumes. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bourdieu, naturalizou o pensamento etnocêntrico e passou a reproduzi-lo, de modo que o índio precise abrir mão da sua cultura para conviver em sociedade sem sofrer com o preconceito de uma maneira muito hostil. Lamentavelmente, a visão retrógrada é consolidada no imaginário das crianças desde cedo através de, por exemplo, cantigas infantis que retratam o índio de uma forma selvagem e folclórica.
Outro fator válido de se ressaltar é a omissão estatal frente aos povos autóctones. Segundo a Carta Magna de 1988, é função do Ministério Público Federal defender, judicialmente, os direitos e interesses dos ameríndios. Entretanto, o agronegócio, uma das principais movimentações econômicas do país, com o objetivo de obter ainda mais lucros, vem tomando as terras indígenas para expandir a fronteira agrícola. Consequentemente, a sobreposição dos interesses da bancada ruralista, além de evidenciar a não efetividade da legislação brasileira, tem resultado em conflitos violentos e na dizimação de diversas tribos.
Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, desconstrua a visão etnocêntrica, por meio da inclusão da disciplina Cultura e História Indígena na grade curricular do ensino fundamental, a fim de impedir o desenvolvimento do preconceito. Paralelamente, cabe ao Ministério Público, em parceria com a Fundação Nacional do Índio, garantir a demarcação de terras, por meio da fiscalização e de punições rigorosas, visando efetivar, de fato, os direitos dos nativos. Desse modo, é possível que o índio seja valorizado e visto não como herói que o romantismo idealizou, mas como parte fundamental da identidade cultural brasileira.