O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 24/10/2018

Os índios foram representados de forma romântica, como símbolo cultural, na literatura brasileira, porém a atual realidade enfrentada por eles diverge da retratada nos livros. Desde a chegada dos portugueses no Brasil até o dias atuais, a cultura indígena é vista, de forma etnocêntrica, como inferior e incivilizada, e apesar de ter conseguido resistir a diversos processos de aculturação, o cenário atual no qual há intensos conflitos por terra aliado a ignorância da população leva a um provável e trágico fim daqueles que estão na origem da identidade nacional brasileira.

Visto isso, é válido ressaltar que com a ineficácia da não demarcação de terras indígenas, há o descumprimento do artigo 231° da Constituição Federal, que garante o direito de reconhecimento e delimitação terras indígenas tradicionalmente ocupadas. Parafraseando Rousseau, importante filósofo iluminista, que afirmou que as leis são sempre úteis aos mais abastados, as consequências são frequentemente vistas na mídia em geral com a vinculação de terríveis notícias sobre inúmeros povos expulsos de suas propriedades ou mortos por conta da desenfreada expansão do agronegócio. Além disso há ainda 654 terras indígenas com pendências administrativas para terem finalizados os seus procedimentos demarcatórios, o que torna clara a omissão do poder público em relação aos direitos indígenas.

Ademais, é válido ressaltar outro fator que influência na atual e hostil situação em que se encontram dos índios brasileiros: a educação eurocêntrica. Há uma perpetuação da visão quinhentista a respeito da cultura indígena, visto que nas escolas não é ensinado tanto a história quanto a tradição desse grupo étnico que perde lugar para um ensino focado nos valores e ideais europeus, tendo como consequência uma preconceituosa classificação de culturas, que tem a do índio como inferior. Citando, o filósofo da era moderna, Kant que defendeu que o homem é aquilo o que a educação faz dele, a instrução e o ensino são os meios de romper com a ainda presente concepção do mundo colonial.

Infere-se, portanto, a evidência de que o índio brasileiro na atualidade urge atenção e preservação, sendo assim necessário que medidas sejam tomadas a fim de garantir seus direitos. Posto isso, cabe ao Ministério da Justiça em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) acelerar os processos judiciais de demarcação de terras, tornando-os prioridade, e além disso aumentar a fiscalização quanto as invasões de terras já delimitadas, com o aumento de policiais na região. Além disso, o Ministério da Educação deve rearranjar a grade comum de história a fim de incluir a história e costumes da população indígena, para que seja modificada a visão etnocêntrica do índio na sociedade, dessa forma estaremos mais perto de tornar realidade as narrativas nas quais os índios são símbolos nacionais.