O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 24/10/2018

Legado indianista

Um dos legados mais significativos consolidados pelo Romantismo — movimento literário e político iniciado no século XVIII — foi a valorização da cultura brasileira, sobretudo indígena, enfatizada pela obra ‘‘Iracema’’, de José de Alencar. No entanto, o contexto atual de negligência de políticas públicas, no Brasil, com foco indígena, fere a democracia e opõe-se à perspectiva romântica. Urge, portanto, inquirir a problemática em consonância ao cenário e agentes sociais envolvidos.

Em primeiro plano, é consistente frisar que a inclusão de práticas, de matrizes econômicas, que desfavorecem os índios, detêm cunho antagônico: ora pela exploração de áreas autóctones, contrária à vontade indígena, ora pelo Artigo 231 da Constituição Federal de 1988 — que assegura preservação aos costumes e tradições indígenas. À vista disso, destacam-se dados expostos pelo site UOL, que expõem a crescente variável no que tange à destruição de campos aborígenes amazônicos, principalmente devido à instalação de usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte. Explicita-se, logo, a necessidade da intervenção de órgãos fiscais no rol, com intuito de cumprir o que prevê a Carta Magna.

Outrossim, convém ainda salientar que o desfavorecimento e a inserção de práticas inviáveis aos costumes indígenas, tal como a exclusão em decisões políticas, não tratam-se de acontecimentos recentes. Isso se evidencia pelo olhar histórico no âmbito, marcado pela incisiva ausência dos índios em esferas sociais, desde o Brasil colônia à República. Em suma, tal etnocentrismo que compôs a trajetória dos índios em solo latino-americano — que persiste até hoje — pode ser  conferido na obra ‘‘Modernidade Líquida’’ do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que expõe a massiva presença do individualismo, associada a heranças enraizadas na pós-modernidade.

Em síntese, faz-se imprescindível a adoção de condutas que visam minimizar os efeitos perpetuados sob os indígenas e exercer as premissas intrínsecas à Constituição Cidadã. Dessa forma, o Ministério da Cultura deve intensificar a ação de agentes ativistas, a partir do alastramento de leis que culminem limitar a exploração de recursos em reservas autóctones, a fim de garantir a preservação e minimizar a apropriação excessiva. Ao Ministério da Educação, por sua vez, compete promover o aumento de estudos sociológicos, desde os primeiros anos escolares, que tendam a compreender a importância histórica dos índios no território brasileiros e firmar o respeito à diversidade. Por conseguinte, sob a aplicação de tais medidas, seria visível a atenuação dos atuais impactos que abalam os indígenas, construiria-se cidadãos mais transigentes e cumprir-se-ia legados democráticos e romântico.