O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/10/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para os povos indígenas que, diante das dificuldades sofridas para demarcação de suas terras, vivem, não necessariamente bem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de empatia da pós-modernidade e de questões políticas.
Deve-se pontuar, de início, que a fluidez dos tempos pós-modernos caracteriza-se como um complexo dificultador. Na obra ‘’Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defende que os tempos modernos são caracterizados pelo individualismo e pelo egocentrismo. Tal afirmação pode ser enxergada na sociedade brasileira, no que tange à questão dos indígenas. Em consequência dessa falta de empatia, segundo uma pesquisa feita pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), mais de 800 indígenas foram assassinados nos últimos 13 anos, o que comprova, indubitavelmente, o distanciamento da realidade dos nativos da realidade descrita por Platão.
Outro fator relevante, nessa temática, é a incapacidade da gestão estatal. Isso, consoante Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Contrariamente, no Brasil, apesar dos indígenas terem direitos garantidos na Constituição Cidadã de 1988, tais não são efetivados na prática, já que, tal grupo é cada mais oprimido e enfrenta diversas dificuldades para cultivar suas roças subsistência e exercer sua cultura. Desse modo, a insuficiência legislativa contribui para dificuldade de aproximação das duas realidades.
Torna imperativo, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Em razão disso, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanais culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem sobre a valorização da cultura e dos espaços indígenas para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Talvez, assim, se possa construir um país de que Platão pudesse se orgulhar.