O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/10/2018
Na primeira geração do romantismo brasileiro - movimento literário do século XIX - a figura do índio foi idealizada e exaltada, ressaltando seus valores e modo de vida. No entanto, ao observar-se o contexto atual da terra tupiniquim, constata-se que essa minoria não é valorizada como no cenário romântico, o que ocasiona diversos problemas a esse grupo. Nesse sentido, a ineficácia estatal e a negligência social destacam-se como fomentadores dessa problemática.
Primeiramente, a parcimônia do governo em garantir os direitos constitucionais dessa minoria prejudica o modo de vida indígena. Acerca dessa lógica, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman elaborou o conceito ‘‘instituições zumbi’’, no qual defende que algumas instituições, incluindo o Estado, deixaram de exercer sua função primária, mantendo apenas sua forma. Por conseguinte, os grandes proprietários aproveitam-se desse falho sistema de fiscalização estatal para explorar, de forma ilegal, terras que pertencem aos índios.
Além disso, a falta de empatia e a displicência social impactam negativamente o atual modelo de vivência social desse grupo. De acordo com o filósofo inglês Thomas Hobbes, ‘‘O homem é o lobo do homem’’. Sob tal ótica, percebe-se que o corpo social contemporâneo visa cada vez mais obter benefícios restritos a ponto de violar o bem estar do seu semelhante. Os grandes empresários, por exemplo, no intuito de lucrar, possuem cerca de 49% dos requerimentos de mineração em territórios indígenas, segundo dados do IBGE. Impedindo, dessa forma, o acesso da minoria aborígene ao direito à terra.
Portanto, diante da atual problemática vivenciada pelo indígena no Brasil, medidas precisam ser tomadas. A Secretaria do Tesouro Nacional deve, com auxílio do Ministério do Desenvolvimento Social, contratar mais funcionários públicos para fiscalizar as terrar indígenas, direcionando recursos para a área. Ademais, as instituições de ensino, com a supervisão do Ministério da Educação - precisam modificar a base curricular, inserindo a disciplina de Cidadania e Solidariedade com o fito de incutir valores mais éticos na sociedade e nos futuros grandes proprietários. Dessa forma, o índio poderá ter melhores condições de vida na atualidade e esses problemas poderão ser resolvidos.