O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/10/2018
Conforme descrito na lei da inércia, de Newton, um corpo tende a manter-se em seu estado natural até que outra força, maior ou igual, haja nele mudando seu trajeto. De forma análoga, quando se verifica a questão do índio, no Brasil, vê-se que no lugar de existir, assim como na teoria, uma força que muda seu movimento, na prática seu percurso é mantido. Nesse contexto, cabe avaliarmos os fatores que possibilitam essa situação.
Em primeiro plano, a Constituição garante aos indígenas o direito a usufruir de terras demarcadas no território nacional. Todavia, percebe-se que, esse direito não é afirmado na prática pelo Estado, haja vista a expansão da fronteira agropecuária, que influenciam, negativamente, essas terras protegidas, seja por agrotóxicos que atingem rios que abastecem as comunidades, seja por pragas atraídas pelos latifúndios monocultores e atrapalham as vidas das pessoas. Além disso, em 2015, conforme dados do Conselho Indigenista Missionário 348 de 654 processos de demarcação nem começaram. Desse modo, faz-se nocivo como a postura governamental ratifica o movimento inerte da problemática.
Outrossim, salienta-se a posição midiática como fomento do impasse. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira comum de agir e pensar. Dessa forma, o fato da população, influenciada por esteriótipos midiáticos, pensar e tratar os indígenas como excluídos e sem direitos - similarmente à época colonial - contribui para a manutenção de um ciclo vicioso da falta de representatividade e foco daqueles na sociedade. Assim sendo, torna-se mais dificultoso a troca de percurso, da teoria à prática.
Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para alterar o movimento do problema. Cabe ao Governo, por meio de maiores repasses da Receita Federal e em parceria com a FUNAI, contratar mais agentes públicos para agilizações nas demarcações de terras pendentes, além da criação de Secretarias locais de monitoramento dos arredores da região, para que o direito do indígena bem como sua cultura sejam realmente respeitadas. Ademais, segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação muda os indivíduos, e esses modificam o mundo. Logo, cabe ao MEC instituir - no dia do índio - em escolas, debates, palestras, apresentações lúdicas e culturais, ministradas por professores de artes e agentes sociais para alunos e seus responsáveis que discutam sobre o respeito as tradições dos índios e as consequências negativas dos esteriótipos presentes na sociedade, a fim de que a população, desde as escolas, atue como uma força newtoniana capaz de mudar a inércia da realidade do índio.