O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/10/2018

A questão indígena na atualidade conjuga uma temática que urge ser debatida. Nesse viés, ressalta-se o termo guaraní “tekohá”, que significa “o lugar onde se é”, e transmite a noção de que os índios só se realizam como etnia a partir seu território como referência. Todavia, vários empecilhos têm dificultado a preservação da cultura e do espaço desse povo. Diante do conteúdo exposto, dois aspectos fazem-se relevantes: o preconceito e as disputas por terras.

Em primeira análise, no que tange ao etnocentrismo, infere-se que a discriminação do índio está atrelada a fatores históricos e culturais. Sob essa ótica, ressalta-se o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha: “A terra em si é de muito bons ares. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente”, no qual percebe-se o sentimento de superioridade que os europeus possuíam em relação aos autóctones brasileiros. Com efeito, esse sentimento permanece intrínseco na sociedade, um vez que muitos brasileiros não os reconhecem como cidadãos e os julgam por meio de estereótipos à moda Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, do escritor Mário de Andrade.

Em segunda análise, os grandes proprietários rurais, amparados pela bancada ruralista no governo, defendem que a demarcação de terras indígenas representa um obstáculo para o avanço do agronegócio. Dessa forma, o direito a grandes extensões de terra para a manutenção do modo de vida dos índios é dificultado e frequentemente violado. Ao encontro desse pensamento, destaca-se a PEC 215, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária, a qual visa a alteração das regras para a demarcação do território indígena e quilombola, ação que tornaria os nativos e suas terras ainda mais vulneráveis.

Destarte, é indubitável que medidas fazem-se essenciais para mudar a situação descrita. Para isso, o Ministério da Cultura deve canalizar uma maior parcela da arrecadação tributária para o incentivo à produção de filmes, novelas e séries sobre a história indianista brasileira, de forma a retratar o índio de forma digna, a fim de conduzir a sociedade ao respeito e ao reconhecimento desse povo na construção da identidade nacional. Outrossim, cabe ao Ministério Público limitar as condutas da bancada ruralista, por intermédio da argumentação da Declaração das Nações Unidas sobre os Povos Indígenas, a qual prevê o direito à terra aos nativos, com o intuito de preservar as aldeias e as tradições tribais. Logo, a partir do conjunto de ações supracitadas, a questão do índio na atualidade tornar-se-á mais justa.