O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/10/2018
Segundo o cantor Bob Marley, " um povo sem conhecimento, saliência de seu passado histórico, origem e cultura é como uma árvore sem raízes", ou seja, para que haja desenvolvimento social é necessário reconhecer o passado. Entretanto, no Brasil, o preconceito com os povos indígenas, em decorrência da herança histórico social, e a negligência de seus direitos resultam em conflitos de terras e na violência contra esses povos. Dessa forma, fica evidente a fragilidade da construção cultural brasileira.
Primeiramente, desde o descobrimento do Brasil os indígenas foram considerados povos “menos desenvolvidos e civilizados” culminando em sua exploração e genocídio. Assim, é indubitável que a marginalização dos indígenas tem herança histórico social que reflete, atualmente, na dificuldade de reconhecer sua cidadania e garantir seus direitos declarados na constituição de 1988, em que a cultura, costumes, língua e terras indígenas devem ser protegidos e garantidos. Logo, vários são os exemplos de descaso em relação a esses povos, como o estereótipo de preguiçoso que Mário de Andrade descreveu em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Ademais, a educação brasileira falha em ensinar a importância desses povos na formação da identidade do Brasil, que só é lembrada no dia 19 de abril com atividades de pinturas no rosto.
Outrossim, a criação de órgãos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para proteção social e demarcação de terras corrobora em conflitos no centro-oeste e norte do Brasil, em que a invasão ilegal de terras indígenas é feita por fazendeiros do agronegócio e garimpeiros, protegidos pela a bancada ruralista, para alocar sua atividade comercial, ocasionam o desmatamento, genocídio e, por fim, na perda da biodiversidade brasileira. Assim, como mostra dados do IBGE de 2010, cerca de 36% da população indígena do Brasil se encontra em áreas urbanas em busca de melhores condições de vida. Nesse sentido, é inquestionável que a cultura dos povos primitivos está sendo perdida aos poucos e a desvalorização social acentua essa perda.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas levando em consideração a questão atual dos povos indígenas. Assim, o FUNAI e o Ministério Público devem agilizar a demarcação de terras, tratando o caso como prioridade, para que seja possível manter população indígena, assim como assegura a constituição de 1988. Ademais, o Ministério da Educação deve promover nas escolas o conhecimento da participação do indígena na história do Brasil e mostrar costumes e cultura de forma real, quebrando estigmas e mostrando a diversidade ética. Dessa forma, a sociedade brasileira encontrará suas raízes.