O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/10/2018
Tapioca; Beiju; Pato no Tucupi; Pamonha. É notória a presença de receitas indígenas famosas presentes na sociedade brasileira contemporânea. Entretanto, apesar da grande valorização gastronômica indígena, no limiar do século XXI, o índio é visto como inferior e aculturado. Nesse sentido, entender que preconceitos aliados à ausência de políticas públicas efetivas, são fatores determinantes para o foco do indígena na atualidade, exigindo mudanças para com uma minoria dizimada.
Primordialmente, é fundamental ter em mente que os aborígenes são povos negligenciados desde o início da colonização brasileira. Dentro desse contexto, a chegada do europeu na América representou a morte de milhões de índios, pois trouxe consigo muitas doenças e a exploração, sendo deixados em segundo plano pelos países colonizadores. Seguindo essa linha de raciocínio, o preconceito com tal povo é herança de um passado injusto e intolerante. Sob essa ótica, adaptando o “relativismo cultural” do filósofo Mellanoviski, o mesmo não é transmitido à realidade, haja vista que, essa teoria exige a empatia dos cidadãos para com outros povos e não haja descriminação, o que não é visto na íntegra. Em segundo lugar, vale ressaltar que a crise que ocorre no sistema de demarcação de terras indígenas contribui para a sua exclusão. Segundo o Conselho Indígena Missionário (CIMI), no ano de 2017, havia mais de 300 processos sobre a demarcação territorial a serem resolvidos pela TRF, e que, ainda hoje, não foi julgado, o que revela o descaso da justiça com essas minorias. Ademais, essa crise advém de processos como, por exemplo, a mineração, o agronegócio e empresas transnacionais, prova disso é a construção da hidrelétrica de Belo Monte, que de acordo com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), causam imensos impactos negativos aos aborígenes. Logo, modificar esse quadro é essencial à efetivação da demarcação garantida na Constituição de 1988.
É fundamental, portanto, uma parceria entre governo e mídia, na qual essa, por meio de propagandas e novelas, será responsável por divulgar projetos como o “Vídeo nas aldeias”, responsável por mostrar a verdadeira cultura indígena, a fim de desconstruir ideias preconceituosas herdadas do período colonial. Somado a isso, o Estado deve financiar órgãos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), responsável por proteger as reservas indígenas, além de pressionar o TRF acerca dos processos de demarcação territorial, a fim de garantir os direitos constitucionais. Por fim, o indígena e sua cultura serão valorizados.