O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/10/2018
No mês de janeiro de 2018, dois professores universitários de origem indígena foram brutalmente assassinados no Brasil. Esses não são os únicos casos de violência registrados contra a população autóctone a ganhar destaque recentemente nos grandes veículos de mídia, já que tal grupo é uma vítima constante de conflitos espalhados pelo território nacional. Essa constatação configura uma grave problemática envolvendo os povos nativos, e, portanto, é passível de uma análise mais aprofundada a respeito de seus principais motivadores, que, por sua vez, recaem no interesse econômico de certos setores do Capital e na herança histórico-cultural da sociedade brasileira.
Sob uma ótica inicial, faz-se necessário o destaque da ganância apresentada pelo agronegócio como objeto de estudo. Na Constituição de 1934, promulgada durante o governo de Getúlio Vargas, o primeiro direito garantido legalmente aos indígenas foi estabelecido: a posse das terras nas quais residissem. Entretanto, tal direito, que foi incorporado pela Carta Magna de 1988, nunca foi verdadeiramente respeitado, em função da alegação - oriunda de grandes latifundiários - de que a delimitação dos territórios em questão representaria um entrave para o desenvolvimento econômico do setor agroexportador no Brasil. Os responsáveis por essa mentalidade, hoje, tem grande poder político dentro do Congresso Nacional, com a chamada Bancada Ruralista; e configuram uma ameaça aos povos silvícolas, sobretudo quando levamos em conta o omisso e conivente posicionamento do Governo Federal diante da temática.
Outrossim, as matrizes históricas e culturais sobre as quais está fundamentado o imaginário coletivo brasileiro caracterizam empecilhos para a valorização do índio na atualidade.A influência de pensamentos hierárquicos de cunho etnocêntrico, originários do processo de colonização, pode ser vista em importantes obras brasileiras, tais como o livro Macunaíma, de Mário de Andrade. A despeito da intenção modernista de suscitar uma cultura puramente brasileira, o protagonista do escrito, um índio, conserva diversas particularidades depreciativas, a exemplo da preguiça. Ao observar tais ponderações, é inegável a percepção de que parte da literatura brasileira fragiliza e desestimula o relativismo cultural para com os povos autóctones.
Fica claro, destarte, que medidas são requeridas para a resolução da problemática. Urge que a Fundação Nacional do Índio (Funai), promova a criação de vídeos educativos a respeito da cultura indígena, a serem veiculados nas pré-escolas e nas redes sociais do Ministério da Cultura. Utilizando como meio uma parceria com o Instituto Maurício de Souza, que possibilitaria a utilização do personagem infantil Papa Capim, tal proposta visa o reconhecimento da multiplicidade cultural indígena.