O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 02/11/2018
Sob concepção literária do Romantismo da primeira geração, o índio era retratado como herói nacional e símbolo da brasilidade. Essas representações, entretanto, permaneceram idealizadas, haja vista os desafios dos povos indígenas no acesso pleno à educação no Brasil contemporâneo. Nesse contexto, percebe-se que a negligência social e a inércia do Poder Público são alicerces dessa problemática.
Deve-se pontuar, de início, que a imparcialidade na inclusão dos nativos no ambiente educacional não é algo recente na história da humanidade. Com efeito, sabe-se que durante o Período Colonial do Brasil, esses grupos foram submetidos à uma cultura dira “superior” - a europeia -, sendo colocados nos mais baixos níveis sociais. Analogamente, o preconceito incorpocado, ainda hoje, ratifica a postura negligente da coletividade em reconhecer os índios como membros do corpo social. Isso, segundo as ideias do sociólogo Durlheim das quais as ações humanas são determinadas pela compreensão da realidade, ocorre porque as escolas pouco prepara os indivíduos para a vida em sociedade usufruindo de valores da empatia.
Outro desafio a ser superado é a inoperância estatal diante da precária acessibilidade educacional dos povos nativos. Tal fato se reflete nos ínfimos investimentos governamentais na tríade estrutura-acessibilidade-profissionais que nas zonas rurais apresentam maior demanda desse público e, no entanto, estão abandonadas ao descaso. Essa situação se relaciona à teoria de “Instituição Zumbi” de Zygmunt Bauman, na qual o Estado falha na garantia de direitos intrínsecos à cidadania - como o direito à educação -, o que viabiliza a exclusão desses grupos à vida democrática.
Nesse sentido, para garantir aos nativos a plena participação social, convém ao Ministério da Educação, em parceria com instituições de ensino, inserir na grade curricular a disciplina “Cultura e Cidadania”,que possibilite trabalhar nas salas de aulas a empatia e o coopetativismo social, por meio de atividades teatrais e gincanas que incitem o reconhimento dos povos indpigenas, a fim de romper com os estigmas incorporados. É imprescindível, ainda, que a União com maiores recursos da Receita Federal, deve contribuir para um espaço integrado e acessível, por meio da construção e manutenção de escolas nas zonas mais periféricas e de estruturas de deslocamento, além de conferir benefícios fiscais para professores que venham a atuar nessas regiões. Destartes, será possível fazer jus à poética indianista do Romantismo.