O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 14/03/2019

Realidade móvel

O imobilismo, defendido por Parmênides, discorre que a realidade é imóvel. Todavia, o passar dos séculos e as mudanças que acompanharam o tempo provaram que essa teoria é refutável. Diante disso, o Brasil se apresenta contrário à refuta ao filósofo, já que o déficit no Poder Público e a lapsa atuação social corroboram para que situação do índio atual seja uma problemática imutável da sociedade contemporânea.

A priori, o desempenho governamental cria uma linha tênue entre o problema e a solução. As cruzadas, expedições para descobrimento e ocupação do território brasileiro, ocasionou um genocídio indígena e com o consentimento monárquico. Por analogia, o agronegócio age de forma similar aos bandeirantes, dado que invadem terras e causam inúmeras mortes pela região Centro Oeste do país. Nesse contexto caótico, a Funai tem, na tese, a função de garantir a dignidade nativa e proteção territorial, entretanto, os óbitos crescentes e a expansão desenfreada da agroexportação denotam a falha do sistema. Desse modo, o descaso vindo do governo contribui para o crescimento dessa função exponencial.

Além disso, a desvalorização, por parte populacional, retarda o alcance do êxito. O romantismo, em sua primeira geração, trouxe o índio idealizado e endeusado para a sociedade. Mesmo após o modernismo, e sua fase nacionalista, a população ainda tem a visão romântica enraizada e lembram do indianista, de forma estereotipada, dia dezenove de abril e nos carnavais brasileiros. Portanto, a desvalorização do nativo e de sua rica cultura fomentam a sua marginalização e, consequentemente, as ações nocivas que ocorrem com esse grupo.

Torna-se fatídica, então, a necessidade de mitigar as problemáticas envolvendo o índio do século XXI. Logo, o Ministério Público deve atuar na proteção indígena, para isso, investigue e autue latifundiários envolvidos em expansões ilegais e, simultaneamente, fiscalize a atuação da Funai, a fim de reduzir as chacinas nativas, uma vez que ofereça dignidade a esse povo historicamente oprimido. Ainda, cabe ao Ministério da Educação instituir na Base Nacional Comum Curricular pautas em aulas que mostrem a verdadeira cultura indianista, para que erradique as romantizações. Só assim, o Brasil realmente refutará Parmênides e terá uma realidade móvel.