O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 21/03/2019

Característica presente na primeira geração do romantismo e evidenciada, principalmente, na trilogia indianista do autor José de Alencar, a valorização do índio e dos seus aspectos socioculturais não se faz presente nas recentes políticas públicas adotadas pelo Estado brasileiro e no consciente da população como um todo. Dessa forma, observa-se que o índio brasileiro encontra-se cada vez mais marginalizado tanto no âmbito político quanto no âmbito cultural, perdendo, assim, espaço na reivindicação dos seus direitos e ficando vulneráveis a ações de

É relevante abordar, primeiramente, que um dos maiores impasses hodiernos em que encontra-se inserida a população é indígena é sobre o uso e a demarcação de terras, sendo esse problema causador de 71 mortes em 2017, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Esse fato pode ser relacionado à falta de representatividade política desses povos, visto que, segundo o Tribunal Superior de Justiça, os candidatos indígenas representam o valor  0,34% de todas as candidaturas, e à ideia marxiana de que o Estado assiste somente às classes dominantes, levando em consideração que, em uma sociedade capitalista e globalizada, os interesses econômicos muitas vezes se sobrepõem aos interesses sociais. Logo, adquire caráter extremamente problemático a ocorrência de confrontos visto que Constituição de 1988 garante o direito à terras para essa população.

Ademais, sob ótica histórica da conjuntura, nota-se a intrínseca relação do caráter aculturador e genocida da colonização do território brasileiro por parte da população europeia com o preconceito e a desvalorização que a cultura indígena sofre ainda nos tempos contemporâneos. Tal relação é evidenciada na falsa crença difundida entre a população acerca da existência de uma suposta hierarquização cultural colocando a cultura urbana e industrial como superior à indígena. Assim, a “comemoração” do Dia do Índio, em 19 de abril, configura-se como uma cortina de fumaça quando as instituições sociais pressupõem que a discussão em um único dia sobre o atual estado dos povos indígenas consegue reverter um problema enraizado há seculos na consciência coletiva brasileira.

Infere-se, portanto, que a atenuação dos empecilhos ainda vivenciados pelos povos indígenas no Brasil não se apresenta como tarefa fácil, porém torna-se-á a partir de uma abordagem política e educacional. Destarte, o Ministério Público, visando garantir a efetiva prática dos direitos garantidos na Constituição, acelerar o processo de demarcação de terras através da criação de uma força tarefa magistral auxiliada por representantes da população indígena. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, para recuperar a valorização da cultura desses povos, veicular publicidade na internet através de parcerias com digital influencers para a produção de conteúdo informativo e persuasivo.