O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 23/03/2019

Em sua obra “Condição Pós-Moderna”, Lyotard discorre sobre a visão e o posicionamento humano no contexto atual. Acerca disso, o autor ressalta que o homem faz uso do saber científico não mais para a informação, mas sim para a busca da riqueza. Sob essa lógica, é indubitável que esse posicionamento intervém no indivíduo da sociedade brasileira, tal qual ocorre com o indígena hodiernamente, uma vez que a busca por esse poderio atinge o direito à habitação e à inclusão étnico-social desse povo.

Em primeiro plano, Lyotard analisa o uso da técnica e da ciência, em que para esta ocorrer, aquela deve existir em conjunto com a riqueza. Assim, o escritor torna nítida a interdependência, nas sociedades contemporâneas, do avanço técnico e do capital. De tal maneira, no Brasil, é válido ressaltar que essa procura ao acúmulo de lucros possui suas bases na indústria e nos setores do agronegócio, o que atinge a comunidade indígena em diversos contextos, tal como o direito à posse de terras previsto pelo Estatuto do Índio, uma vez que esses setores utilizam, ilegalmente, espaços de habitação autóctone.

Ademais, a invisibilidade da questão indígena em foco no cenário atual se corrobora devido à exclusão étnico-social desse grupo. Dessa forma, é notório que a falta de recursos que incluam o indígena integralmente na sociedade é um fator que assegura a problemática da indiferença. Nessa perspectiva, poder-se-á observar a dissolução da problemática a partir da execução das leis, bem como por meio da criação de vínculos sociais –escolas e parques, por exemplo-, que hajam a participação da comunidade em união com os povos indígenas, não os segregando em vínculos propriamente para eles.

Logo, deve-se colocar a situação desse povo em foco na atualidade. Para isso, faz-se necessária a atuação do Estatuto do Índio nas áreas de povoamento indígena, por meio de fiscalizações sazonais nessas áreas e da criação de instituições em seus centros, para que, assim, possam denunciar empresas que se apossam de suas terras ilegalmente, a fim de se obter o direito garantido pelo Estatuto. Além disso, o Ministério da Cidadania deve promover a inclusão desses povos na sociedade, através da construção de escolas que não os segreguem, mas sim incluam, haja vista que dessa maneira haverá uma nova condição Pós- Moderna.