O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 28/03/2019
Lucro indígena?
“Vamos ficar ricos vendendo a alma dos nossos índios”. A frase anterior, parafraseada da música “Que país é esse?”, de Renato Russo, afirma o quão ruim e desrespeitoso foi o tratamento aos povos indígenas desde a colonização brasileira. Infelizmente, esse modo de se sobrepor às culturas ameríndias persiste até hoje, por meio do desmatamento e retirada de terras, ou até mesmo, pela falta de representação dos seus direitos que deveriam ser os principais, uma vez que, foram eles os primeiros a habitar o Brasil.
Em primeira análise, vale ressaltar, que mesmo que o Estatuto do Índio e FUNAI garantam proteção e monitoria das terras indígenas, isto não ocorre, já que segundo o IBGE, o número de indígenas diminuiu drasticamente, de 5 milhões em 1500, para cerca de 800 mil. Paralelamente, registros de desmatamento, avanço do agronegócio e retirada de terras de diversas tribos aumenta. Diante disso, percebe-se que ao praticar esses atos, vários povos perdem seus lares, a natureza, e consequentemente seu direito de viver.
Além disso, o preconceito e falta de representatividade corroboram com a destruição desses povos. A carta de Pero Vaz de Caminha, documento do Brasil, já fala do etnocentrismo e aculturação, posteriormente, livros de brasileiros, como Macunaíma, de Mário de Andrade, afirmam esta visão, uma vez que, mostram a figura de um indígena estereotipado. Concomitante a isto, no Senado, há uma carência da defesa e representação dos direitos do índio, esta ausência concede a continuidade da violência contra as tribos indígenas.
Em suma, é necessário que medidas para o reconhecimento dos índios sejam tomadas. Iniciando com a FUNAI, em parceria com a Secretaria da Habitação, que devem solidificar a defesa e monitoria das terras indígenas, através do contrato de fiscais, que deverão fazer visitas mensais às tribos com intuito de assegurar seus direitos. Como também, o Senado deve abrir uma maior parcela de seus cargos a índios ou representantes, por meio do contato com as tribos e posterior candidatura, buscando firmar suas possibilidades de exposição de opiniões, e desse modo, colaborando para a diminuição do preconceito com os povos ameríndios. Só assim, talvez um dia, alguém poderá dizer que a música de Renato Russo não faz mais parte do Brasil.