O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/03/2019
O Romantismo brasileiro, no século XIX, trouxe em sua primeira geração a valorização do índio, como elemento identitário nacional. Entretanto, hodiernamente, a população indígena foi devastada e essa valorização foi perdida com o avanço e a consolidação do capitalismo, o qual acomete veemente as terras dos nativos, para conseguir explorar as suas riquezas e recursos. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à ineficiência das políticas públicas de proteção e à má formação social no sistema educacional.
A priori, consoante o filósofo Aristóteles, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Assim, a crescente corrupção do Estado, mediante desvios de verbas e ações de benefícios próprios, acarretam em uma falta de investimentos em políticas de proteção indígena e de demarcações de terras. Desse modo, no Brasil, é notório a intensificação da exploração de terras indígenas, por parte de grandes empresas mineradoras, as quais destroem toda a biodiversidade e, muitas vezes, dizimam as populações nativas existentes naquele local, com o intuito de expandir suas margens de lucro. Destarte, a articulação desse modelo exploratório e a flexibilização de leis ambientais destroem a cultura e a história do país.
Outrossim, conforme a antropóloga Ruth Benedict, “A cultura é a janela pela qual o homem enxerga o mundo”. Dessa maneira, é a cultura a responsável pela transmissão de valores entre as gerações de uma sociedade, as quais herdam esses costumes e os assimilam no seu modo de viver e se relacionarem com as pessoas. Isto posto, no Brasil, a retratação do índio no sistema educacional é tratada, apenas, como um elemento folclórico sem a devida importância, a qual lhe devia ser dada, pois grande parte da cultura vigente está ligada a cultura indígena. Por consequência, a perpetuação dessa visão folclórica cria uma sociedade demasiadamente desinformada sobre a cultura da sua nação.
Por conseguinte, para que a a visão de desvalorização do índio seja combatida e os seus direitos conservados, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, cabe ao Ministério da Cultura em conjunto com à Câmara de Deputados, por meio de projetos de leis, a implementação de novos investimentos em áreas de reservas indígenas, as quais possam se desenvolver e preservar a sua cultura e a amplificação da fiscalização de empresas, as quais possam apresentar riscos a essa população, a fim de que haja maior proteção para esses indivíduos. Ademais, assiste ao Ministério da Educação, por intermédio de diretrizes educacionais, a criação de projetos interdisciplinares, os quais visem levar os alunos a conhecerem a cultura indígena e a história do Brasil no próprio território nativo, para que haja uma formação de uma geração cônscia.