O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 25/03/2019

Herdeiros da pluralidade

“Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa ambição excedeu a nossa humanidade”. A reflexão de Albert Eisntein em meados do século XX, se faz presente no cenário vigente, com a ampliação e difusão de ideais capitalistas. Nessa perspectiva, a voracidade, a ausência de solidariedade, ética e justiça social termina por solapar a existência de uma vida civilizada, em que os menos afortunados, em termos de capital, se encontram marginalizados e negligenciados, como é o caso dos povos indígenas no Brasil, que dia após dia veem sendo despidos de voz, terra e continuam a serem dizimados.

A cultura indígena é parte constituinte da identidade nacional, entretanto ela ainda é subjugada e colocada em segundo plano, fruto de uma colonização déspota que se afirmava ter valores soberano.Dessa forma, ainda é notório a manutenção da classificação do índios como selvagens no panorama contemporâneo, em que vemos a comunicação realizada por eles como “dialetos” e pessoas que praticam costumes “folclóricos”. Esse tipo de descriminação contribui para o contínuo extermínio da cultura indígena, visto que fomentamos uma visão unidimensional e estereotipada desses grupos, agravando assim a segregação social.

O jornal francês “Le Monde diplomatique” relatou no ano de 2012 sobre o massacre do povo indígena Guarani Kaiowá, no estado do Mato Grosso do sul, que teve seu cacique morto devido a um conflito vinculado a disputa de terras. Outrossim, a luta pelo território tornou-se um percalço nas relações de poder e agronegócio, que se sobrepõe a cerca dos territórios indígenas, com o fito de ampliarem seus lucros e expandirem suas fronteiras, para que isso aconteça, ocorre em muitos casos o massacre dessa população, ação que sobrevém devido a não aplicabilidade dos Direitos Constitucionais. Soma-se a isso o descaso das bancadas ruralista com a demarcação de terras indígenas e a não proteção desses povos.

Infere-se, portanto, que para atenuar essa problemática,é imprescindível que ocorra maior atuação do Poder Legislativo,fiscalizando a ocupação de terras destinada a povos indígenas e garantindo por meio de leis que não haja redução desse território. É fundamental também que Poder Executivo não flexibilize as sanções para infratores que tentam ocupar essas áreas. Adiciona-se a esse processo a participação das instituições de ensino, que devem promover uma literacia cívica e histórica, sobre a importância desses povos na nossa formação da nossa sociedade, pois como dizia a ministra Carmén Lúcia “Pensamento único é para ditadores. A democracia é plural em sua essência. E esse princípio que assegura a igualdade dos direitos individuais na diversidade dos indivíduos”.