O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/03/2019
Datada de 1 de maio de 1500, a famosa carta de Pero Vaz de Caminha narrou a chegada dos portugueses ao Brasil e a visão europeia de povos nativos. Mesmo mais de 500 anos após a produção da carta, a sociedade brasileira ainda partilha ideias semelhantes a dos colonizadores portugueses. Carregadas de preconceitos e de ignorância perante índios, essas noções são evidenciadas com desrespeito à cultura indígena e omissão do Estado frente a direitos de povos indígenas.
Primeiramente, nota-se, na sociedade brasileira, grande desrespeito ao índio e à cultura indígena. Isso confirma-se sempre que conhecimentos ancestrais são depreciados, como subestimação de rituais e de remédios naturais, em detrimento de hábitos urbanos ocidentais. A desvalorização de povos indígenas é evidenciada ainda mais em datas como o Dia do Índio, na qual muitos ‘‘fantasiam-se de índio’’, limitando a representatividade indígena a adereços e a senso comum, tal como fez José de Alencar no romance ‘‘Iracema’’, o qual retrata um índio esteriotipado pela sociedade branca.
Por outro viés, a omissão do Estado brasileiro perante índios do Brasil é notória. A relativização de demarcações de terras indígenas, principalmente no governo atual, o qual é caraterizado pela intensa participação da bancada ruralista, é clara e representa perigo a índios. O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista, afirmou ser contra demarcações: ‘‘No que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena’’, além de ter concedido a ruralistas o poder de delimitação de áreas de conservação. Ademais, o poder público é negligente para com direitos básicos de índios, como o acesso à saúde, como denunciou o Conselho Indigenista Missionário acerca da insalubridade vivida por Guaranis no Rio Grande do Sul.
Em face dessa realidade, o Ministério da Educação deve promover conhecimento verídico sobre povos indígenas, incorporando à Base Nacional Comum Curricular o estudo da cultura e da identidade do índio brasileiro, na disciplina de história. Isso deve ter vistas à desconstrução de preconceitos e de esteriótipos , de modo a fomentar respeito por povos nativos. Além disso, é urgente que a FUNAI reitere o direito à terra indígena, previsto na Constituição, homologando demarcações e impondo multas severas àqueles que invadirem reservas. Tal ação deve objetivar conceder proteção a tribos indígenas, promovendo justiça e preservação da cultura-mãe do povo brasileiro.