O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 29/03/2019
Em 1836, iniciava-se a primeira geração do Romantismo no Brasil, representada por escritores como José de Alencar, autor da famosa obra “Iracema”. Nesse livro ele retrata uma mulher indígena como “a virgem dos lábios de mel”, simultaneamente estereotipando e retratando-a como uma selvagem. Quase dois séculos depois, os índios no Brasil ainda tem seus direitos negligenciados, tanto pelo Estado como pela sociedade, fato ilustrado pela invisibilidade social dessa minoria e de suas causas, como a necessidade atual da reivindicação de terras que habitam desde a origem de suas etnias.
Cabe ressaltar a existência da FUNAI, Fundação Nacional do Índio, responsável pela regularização e demarcação das terras ocupadas pelas nações indígenas, promovendo políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável assim como, o acesso a direitos sociais e a cidadania. Entretanto, o que é assegurado pela lei diverge do que é aplicado na prática, uma vez que inúmeros são os casos de negação de zonas habitacionais a esses povos. Além disso, é importante salientar a disputa territorial entre os grandes latifundiários e os índios que, em maioria, resulta positivamente para os latifundiários, apoiados pela bancada ruralista e pela mídia oportunista. Por consequência essa população representa metade das mortes por conflitos de terras no Brasil, a exemplo da dizimação de diversas tribos.
É notória a perpetuação da inferiorização dos indígenas na sociedade pós-moderna, que garante destaque a esses indivíduos somente no dia nacional do índio. Prova disso, é a falta de representatividade dos mesmos na mídia que, quando representados possuem características estereotipadas, como na novela “Uga Uga” do ano 2000, o próprio nome dessa referente a linguagem do indígena. Todavia, esse aspecto torna-se incoerente quando analisamos diversas palavras populares da língua portuguesa de origem Tupi-Guarani. Embora a contribuição dessa população à cultura brasileira seja imensurável, a omissão dos meios de comunicação conserva a identidade não civilizada dos índios, menosprezando-os como cidadãos.
Sob tal enfoque e diante do direito à cidadania do indígena assim como a de qualquer outro indivíduo, percebe-se a necessidade de um olhar mais atento para essa minoria. Cabe a mídia e a suas plataformas de difusão de informação, por meio de ficções engajadas, abordar o índio sem características pré estabelecidas. Dessa forma, desconstruindo estereótipos impostos pela sociedade, favorecendo aos indivíduos a criação de sua própria identidade, para que a sua noção de cidadania seja prioritária a rotulação do pertencimento a uma minoria.