O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 26/03/2019
A Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento sobre o Brasil, retrata o encontro entre índios e portugueses. A obra narra uma relação conturbada e extremamente prejudicial aos nativos. Nos dias atuais, de maneira análoga, os povos indígenas enfrentam relações de preconceito e violação de direitos.
Em primeira análise, é fundamental destacar que a visão social a respeito dos índios é “carregada” de estereótipos. No livro “Macunaíma”, obra de Mário de Andrade, é difundida uma imagem errônea dos nativos, os quais são descritos como indolentes e sem caráter. Frequentemente essa preconcepção é tida como verdade, fato que gera intolerância para com os povos indígenas. Destarte, evidencia-se uma dificuldade dos índios no que tange ao convívio social.
Outrossim, os desafios nessa questão não se restringem às relações sociais e transferem-se para o âmbito territorial. Embora seja garantido pela Constituição o direito dos nativos à terra vem sendo negado em razão da influência do agronegócio na política. Tal conjuntura compromete a perpetuação da cultura indígena, tendo em vista que, segundo o geógrafo Friedrich Ratzel, uma sociedade sem território é inconcebível.
Com o intuito de amenizar a problemática, cabe ao Poder Judiciário aplicar sanções sobre o Ministério da Agricultura, órgão que delimita as terras, em caso de injustiça no processo, a fim de garantir território aos nativos. Além disso, importa que as escolas realizem palestras sobre o tema com a presença de indígenas e sociólogos, para que se desconstrua os estereótipos supracitados. Assim, espera-se resolver o impasse registrado na Carta de Pero Vaz.