O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 27/03/2019

Reais descobridores

A partir da primeira geração romântica na literatura brasileira, o índio é retratado como um símbolo de identificação brasileira: o herói nacional destemido e valente. No entanto, essa valorização restringiu-se aos livros, uma vez que a realidade - desde os anos 1500 - mostra-se perversa com a vida indígena. Nesse contexto, é preciso reavaliar a forma como o índio brasileiro é considerado nessa sociedade e investir em ações mais contundentes na promoção de sua existência.

Em primeiro plano, a população nativa enfrenta uma série histórica de situações humilhantes e violentas. Nesse sentido, vale destacar o processo de colonização pelos portugueses, durante o qual foi escravizada e quase dizimada por doenças ou maus-tratos, além da perpetuação de um posicionamento distante e pouco afeito por parte do povo brasileiro “civilizado”. Tal comportamento revela-se, por exemplo, na alienação acerca da cultura, da diversidade étnica e das lutas travadas diariamente desde que desconhecidos invadiram e exploraram suas terras e seus membros.

Já no século XXI, os conflitos com o homem branco permanecem, embora as motivações sejam diferentes. Por esse viés, Constituição Brasileira de 1988 prevê a proteção da população autóctone, bem como a garantia de direito permanente à terra e o reconhecimento de seu modo de vida. Na prática, entretanto, a lei é violada pelas indústrias da mineração e do agronegócio que, ávidas por áreas inexploradas, constituem-se em um grande entrave para a demarcação de terras indígenas e utilizam-se de meios agressivos para obter o controle, como denuncia o Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, de 2015.

Urge, portanto, a necessidade de se adotar medidas que sejam capazes de garantir o bem-estar e os direitos desse povo historicamente massacrado. Assim, os indivíduos devem pressionar os parlamentares por meio das redes sociais para que seja revertida a decisão sobre a queda de investimentos e atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai). Também é importante cobrar um papel isento e ponderado do Ministério Público, o qual deve investigar minuciosamente cada denúncia e exigir a punição de agressores, independentemente do cargo que ocupem. Por fim, o Ministério da Educação pode incluir nos currículos escolares o aprendizado sobre a vida indígena de modo que as futuras gerações sejam mais capazes de valorizar e respeitar os reais descobridores e donos dessa Terra de Santa Cruz.