O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/03/2019
“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. Desde o século XIX, na literatura, o índio ainda é visto como uma caricatura até os dias atuais. Essa “coisificação” é prejudicial para o conhecimento da cultura desses e ainda para a representatividade política mínima contemporânea.
Sabe-se que, de acordo com o artigo Art. 5º da Constituição Federal, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A sociedade brasileira não considera o índio como igual, ainda o tem de forma heroica como na poesia da 1ª Geração do Romantismo, no século XIX, a fim de associá- lo à construção de um sentimento nacionalista no Brasil. É preciso propor novos olhares sobre a história dos povos indígenas e africanos, desconstruindo os estereótipos. Esses se desconstroem com informação, com conhecimento da memória de um grupo e com a criação de oportunidades iguais de acesso aos bens culturais de uma sociedade.
É evidente que estar relegado à mitologia não dá representatividade, assim, qualquer mudança é demorada. Há 31 anos, desde que o cacique xavante Mário Juruna deixou o Congresso Nacional, em 1987, um índio não era eleito deputado federal. Mas em 2018, foi eleita candidata a deputada federal por Roraima Joênia Batista de Carvalho, a primeira mulher indígena para a Câmara dos Deputados, desde que esta foi criada, em 1824 – ano em que a primeira Constituição brasileira foi promulgada, sem qualquer menção à existência e aos direitos dos índios brasileiros. A Câmara dos Deputados compõe-se de 513 deputados, desses apenas um indígena. Fica explícito, portanto, que em uma política dominada pelo coronelismo do capital, os índios pauperizados e criminalizados estão excluídos.
Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Ministério da Educação junto com a Funai devem aumentar a abordagem indígena no currículo, de forma a remover essa visão ainda romântica e congelada que muitos brasileiros têm desses grupos. Ademais, a FUNAI, usando o espaço garantido por concessão ao governo, pode realizar uma campanha,a fim de trazer conhecimento e informação ao público sobre a valorização do índio que é, portanto, imprescindível para alterar o cenário vigente . Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.