O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 31/03/2019

“Iracema”, célebre obra de José de Alencar, retrata a trajetória da índia que intitula o livro e a problemática da chegada do europeu em solo brasileiro. A protagonista é acometida por uma série de infortúnios após aproximar-se de um homem branco e tem um fim trágico. Tal romance pode ser associado à história do Brasil quando se analisa o genocídio de indígenas, processo iniciado no “Descobrimento"e que, inaceitavelmente, perdura. A violência contra as populações originária parece ser parte da cultura brasileira, tendo chegado à essas terras acompanhada dos portugueses.

Os problemas são inúmeros, porém, em primeiro plano, é necessário expor o histórico desse quadro. Na Literatura, há o registro da ótica etnocêntrica dos europeus evidenciada pela inferiorização do indígena expressa nas obras do Quinhentismo. O eurocentrismo dos jesuítas, com isso, “legitimou” a catequização forçada de milhares de gentios, obrigando-os a deixarem sua cultura em detrimento da “civilização”. Assim, essa associação do índio a selvageria começava a traçar o senso comum do brasileiro e é perpetuado ainda no século XXI, expresso de maneira infeliz, por exemplo, na novela “Uga Uga”, do ano de 2000, reproduzindo tal esteriótipo.

Em segundo plano, é urgente abordar a questão dos conflitos relacionados à terra. No ano de 2017, mais da metade dos assassinatos na área rural vitimaram indígenas, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Tem-se evidenciado um novo genocídio com a protagonização dos latifundiários, os quais não respeitam a demarcação de terras destinadas ao índio. Dessa forma, há uma guerra desproporcional, na qual a Bancada Ruralista atua como um desserviço à garantia de direitos constitucionais ao ampliar os poderes dos grandes proprietários na esfera política.