O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/03/2019
Desde a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, os povos nativos eram mais de 5 milhões, hoje representa uma pequena parcela da sociedade. Por isso, é imprescindível lutar pela garantia dos direitos humanos desses grupos, não só a partir de um olhar político como também social. Dessa forma, refletir sobre a comunidade indígena é pensar em um desafio enfrentado a séculos, que sempre foi jogado em segundo plano, negligenciado e desrespeitado, motivados pelos interesses econômicos de grupos dominantes.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que a dominação portuguesa contribuiu, na sociedade brasileira, para a formação de uma visão estereotipada do índio e, que infelizmente se perpetua no século XXI que, começou no século XVI marcado, principalmente, com a carta de Pero Vaz de Caminha que, ao relatar ao rei de Portugal a nova terra e as riquezas encontradas, enaltece a cultura europeia e sugere um processo civilizatório aos nativos. Essa ideia reafirma que o indígena desde muitos anos vêm sendo considerado como selvagem, sem cultura. Nesse sentido, as escolas devem promover reflexões sobre o risco de extinção de um valioso patrimônio cultural que se manifesta em diversas projeções, desde a suas crenças, passando pelos riquíssimos grafismos, línguas e artes em geral, até a culinária e a produção de medicamentos.
Concomitantemente a essa situação social, somente após a Constituição Federal de 1988, que houve, realmente, algum tipo de manifestação voltada para resguardar a cultura e a busca pelos direitos, como a demarcação de terras, dos povos primitivos. Entretanto, constantemente, há invasões em terras indígenas, principalmente, por causa das pressões do agronegócio e de grandes empresas mineradoras que, tomam as terras por interesses econômicos, resultando em um cenário de violência contínua. Exemplo disso, segundo dados divulgados pela Fundação Nacional do Índio, no ano de 2014 houve mais de 138 assassinatos envolvendo indígenas e proprietários rurais na região do Mato Grosso do Sul.
Neste contexto, garantir a permanência e a preservação dos povos indígenas é fundamental, pois são direitos que lhes foram outorgados constitucionalmente. É necessário, portanto, que a escola, que tem função de formar cidadãos conscientes, deve promover a criação de matérias extracurriculares nas instituições e campanhas de conscientização através das redes sociais, com o objetivo de mostrar a cultura indígena para, não só os que estão no ambiente escolar, como também a toda sociedade. Além do mais, é preciso que o Estado acelere na demarcação definitiva dessas áreas, assim, resultaria na diminuição da violência, e aumentaria o bem-estar dos povos indígenas.