O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 30/03/2019

Na obra " Raízes do Brasil “, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda ressalta que para o Brasil se modernizar é preciso romper com a herança cultural portuguesa. Sob esse viés, observa-se que a exclusão e desvalorização da população indígena é um exemplo de como a construção história de nossa nação afeta as relações sociais vigentes. Desse modo, é de fundamental importância avaliar como a negligência dos direitos indígenas e o preconceito social contribuem para a manutenção dessa sociedade antiquada e, assim, obter alternativas para combater essa problemática.

Em primeiro plano, de acordo com dados do IBGE, 98% das terras indígenas se localizam na Amazônia Legal, sendo que  34% destas são almejadas por mineradores. Nesse sentido, sabe-se que apesar da Constituição de 1988 garantir a posse e o usufruto exclusivo das terras tradicionalmente ocupadas aos índios, os interesses econômicos - como a mineração, o extrativismo e a construção de hidrelétricas - têm se sobrepondo à esse direito resguardado por lei. Cenários como esse propiciam, além da violência causada pelas disputas territoriais, uma barreia à efetiva democracia, uma vez que, segundo o sociólogo Nick Couldry, são necessárias todas as vozes no espaço público, e não só as vozes daqueles socialmente privilegiados. Assim, tem-se mantido a condição de Brasil colônia, no qual os nativos têm sua terra e sua cultura desrespeitadas.

Concomitantemente, à questão jurídica, quando o filósofo Pierre Bourdieu diz que a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz ao longo do tempo as estruturas sociais que lhe são impostas, ressalta-se a necessidade de uma educação comprometida em romper com a cultura de preconceito aos índios. Nesse sentido, nota-se que os indivíduos precisam, desde crianças, desenvolver a alteridade - o ato de se colocar no lugar do próximo - e a compreensão da importância de todas as culturas para a constituição da identidade do país. Contudo, o ensino brasileiro, frequentemente, carece de eixos, eficientes, que estimulem a interação e convivência respeitosa com as mais diversas formas de viver, por conseguinte, há a continuidade de gerações preconceituosas, que desvalorizam o diferente de si.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa situação. Para tanto, é preciso que o Governo Federal e a FUNAI ( Fundação Nacional do Índio ) assegurem à esse povo os direitos previstos em lei, com a devida demarcação das terras, uma vez que essa é essencial para a manutenção da cultura, com frequentes fiscalizações. Somado a isso, o MEC, com o auxílio de ONGs, deve promover em todas as escolas, palestras e ações educativas que por meio do contato com a cultura e a vida indígena, estimulem o interesse por diferentes costumes e ensinem aos jovens a empatia e o respeito. Assim, progrediremos como nação ao romper com preconceitos coloniais.