O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 31/03/2019

O Quinhentismo, movimento literário do século XIX, apresenta uma visão extremamente inferiorizada dos povos indígenas, uma vez que, retrata a ótica do colonizador. De maneira análoga, na realidade brasileira do século XXI, percebe-se que a desvalorização dos  persiste, o que se configura um grave problema para o corpo social. Dentre os causadores dessa problemática, destacam-se a negligência estatal, bem como a perda do ideal socializador das escolas.

Em primeiro plano, cabe notar que, apesar da existência da Fundação Nacional do Índio,  a falta de fiscalização no cumprimento das demarcações territoriais, bem como os constantes casos de expulsão dessas comunidades de suas áreas para a construção de projetos de ´´desenvolvimento`` nacional como a usina de Belo Monte, exibem que, na prática, as autoridades governamentais possuem um imenso descaso com essa parcela da população. Tal conjuntura gera consequências alarmantes, como a frequente necessidade das tribos lutarem por terras que são originalmente suas em virtude dos constantes ataques dos grandes latifundiários, aliada a falta de proteção estatal. Dessa maneira, a tentativa de preservar a população indígena torna-se ,cada vez mais, irrealizável, dado que, mais de 118 indígenas morrem por ano apenas por conflitos fundiários, conforme o relatório de crimes.

Ademais, é valido ressaltar que a escassez de discussões sociáveis nas instituições escolares agrava a situação patológica de desvalorização dos povos indígenas. Quando o renomado escritor Gilberto Dimenstein afirma que o comportamento manifestado por uma sociedade é consequência das trajetórias socioeducacionais dos indivíduos, corrobora-se com a necessidade de existir uma pedagogia que ressalte a importância dos nativos para a construção da matriz ética brasileira. Contrariamente a essa lógica nota-se que as escolas brasileiras, frequentemente, discutem sobre os aborígines apenas de forma estereotipada, sem ressaltar o alto grau de complexidade, bem como a heterogeneidade desses povos. Em decorrência disso, essa parcela da população permanece não só extremamente invisibilizada , como também muito excluída da sociedade .

Diante desses impasses, é necessário que a Fundação Nacional do Índio fiscalize de forma mais efetiva as terras indígenas, por meio da contratação de profissionais especializados intermediada pela realização de concursos, para que se evite o número de conflitos por esses espações e o consequente assassinato dos nativos. Ademais, é responsabilidade do Ministério da Educação incluir aulas de Ética e Cidadania ao ensino básico, mediante alterações nas Diretrizes Curriculares Nacionais, com o fito de ampliar as discussões acerca da valorização dessa matriz étnica, bem como desconstruir a visão estereotipada vigente.