O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/03/2019
O índio foi amplamente idealizado durante a escola literária Romantismo, no século XIX, tido como herói nacional, digno de exaltação pela sociedade brasileira da época. Contudo, tal valorização encontra-se apenas nessas obras, haja vista que, na realidade, essa população é vítima de preconceitos e perseguições, tendo seus direitos negados diariamente em seu próprio país. Diante disso, é preciso analisar que essa problemática está ligada ao etnocentrismo histórico na sociedade e às questões agrárias.
Mormente, ressalta-se que desde o Período Colonial, a população nativa brasileira sofreu genocídio e catequização de seus colonizadores, os quais enxergavam-na como inferior, selvagem, carente de salvação. Nesse sentido, destaca-se que esse pensamento medíocre e antiquado persiste na contemporaneidade, uma vez que a sociedade marginaliza esse povo, ignorando seus direitos básicos e normatizando seus problemas, por meio da negação de sua identidade e representatividade cultural na formação nacional. Logo, está claro que o ideal de superioridade étnica só reflete a inferioridade da população, incapaz de se aceitar como uma nação diversa e coesa, presa a padrões obsoletos.
Outrossim, é de suma relevância expor a questão agrária como agente de exclusão do índio, tendo em vista que há uma disputa histórica entre a Bancada Ruralista e as Tribos Indígenas. Em face a isso, evidencia-se a PEC 215 (Proposta de Emenda Constitucional) que propõe transferir o Poder Executivo para o Congresso na decisão final sobre a demarcação das terras indígenas, o que seria um claro retrocesso nos direitos desse povo pois, beneficiaria a manutenção dos latifúndios e afetaria as comunidades nativas, tirando-os sua casa e sustento seculares. Portanto, infere-se que esse projeto, inviável e vergonhoso, prioriza a economia em detrimento do bem-estar de centenas de tribos.
Destarte, é notório como a sociedade e o Estado corroboram a omissão dos direitos indígenas, algo que precisa ser combatido com urgência. A princípio, as escolas públicas e privadas devem investir na valorização da cultura nativa, por meio de debates nas aulas de ciências humanas, além de fazer excursões com os alunos para conhecerem tribos, para que esses jovens cresçam familiarizados com as diferenças culturais e sejam ensinados a respeitá-las, além de desmitificar a ideia de “selvageria” desse povo, pois assim, haverá um crescimento como nação, tornando-a plural e legítima. Ademais, os líderes indígenas precisam se envolver na política, associando-se a partidos sócio democratas e ambientalistas, para que eles ganhem representatividade e voz ativa na luta contra as injustiças vividas por sua população, assim crescerá a repressão aos latifúndios e se assegurará os direitos do índio com veemência.