O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 31/03/2019

Segundo o sociólogo Norbert Elias, as sociedades podem ser compreendidas com base no exame de seus costumes. Dessa forma, ao se analisar a condição social dos índios, é possível inferir que foram criadas diversas maneiras de apagá-los da memória nacional. Nesse sentido, é necessário superar o histórico de desvalorização do indígena para que a Constituição se torne, efetivamente, cidadã.

No Brasil, ocorreu o processo de aculturação, derivado da colonização portuguesa, no qual traços significativos das culturas dos povos nativos foram suprimidos do meio social. Isso se refletiu nos escritos do Quinhentismo, que se referiam aos índios como seres bestiais, indolentes e preguiçosos - características de cuja repercussão seria negativa para um país em formação. Sendo assim, a história do indígena foi abandonada, muitas vezes, de estudos históricos nacionais. De outra parte, a transmissão das tradições dos nativos de maneira oral, associado ao desinteresse da academia brasileira por eles, aumentou a dificuldade da preservação de seus costumes. Como consequência, os livros de história utilizados nas instituições de ensino não discorrem sobre esses. Assim, criou-se o costume de o povo brasileiro não preservar a memória de sua nação, o que se demonstra na desvalorização do indígena.

Ademais, a escolha ideológica pela não documentação de tradições indígenas ocasionou um genocídio pela invisibilidade. Os reflexos contemporâneos dessa ideologia se manifesta tanto na pouca representatividade social dos índios nos âmbitos político e acadêmico quanto na forma de tratamento dispensado a eles. A criação de reservas indígenas revela uma visão do índio como um obstáculo ao agronegócio -  responsável pelos conflitos no meio agrário brasileiro, causador de violências físicas e psicológicas aos nativos - e tira-lhes a liberdade, o que ocasiona em altos índices de suicídio.  Na atualidade, a sociedade brasileira tende a matar esses povos visando um progresso econômico, o qual destoa da ausência de percepção lucrativa da terra pelos índios. Dessa forma, pelo prejuízo à integridade física e psíquica indígena, a Constituição de 1988 é ferida.

É notável, portanto, que a pouca valorização do indígena na atualidade se reflete em diferentes aspectos. Para que esse problema seja resolvido, é importante que o Ministério da Educação busque aumentar as horas de estudo acerca da formação histórica e sociológica do Brasil, dando ênfase aos índios, a fim de fomentar a preservação da memória nacional, de modo a preservar tanto as vidas indígenas quanto os seus costumes e efetivar a cidadania.