O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 31/03/2019
O período literário conhecido como Romantismo apresentava uma imagem idealizada do índio brasileiro. Hoje, no entanto, apesar de esse povo apresentar uma cultura inigualável, a visão acerca deles se inverteu. Isso porque há uma defasagem nas leis de proteção e uma criação de esteriótipos.
Primeiramente é necessário pontuar que um dos maiores desafios que o indígena enfrenta no Brasil se refere à garantia dos direitos em relação à terra. Prova disso é a PEC 2015, que propõe alterar a Constituição para transferir do Poder Executivo para o Congresso a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas, beneficiando os grandes latifundiários. Dessa forma, considerando que no país grande parte da economia vem do agronegócio, nota-se que os grandes proprietários rurais, detentores do poder, muitas vezes não repeitam e não aceitam as políticas de proteção ao índio. Como consequência, esses povos ficam vulneráveis a ataques de milícias e a expulsão de suas propriedades
Além disso, a cultura desses habitantes está em segundo plano em detrimento dos costumes dos homens brancos e europeus, estes muito aderidos em nossa sociedade. Essa inferiorização está presente em diversos âmbitos, como no educacional já que nas escolas não é ensinada a história e as tradições indígenas, que, por sua vez, possui apenas a visão europeia. Tendo como consequência a compreensão romantizada, idealizada e retrógrada que boa parte dos brasileiros possuem, já que muitos ainda consideram que esse grupo étnico não utiliza tecnologia, é isolado e está até mesmo em processo de extinção. Nesse contexto, o meio social desenvolve a desvalorização da sabedoria deles e corrobora para a permanência de uma concepção de mundo colonial.
Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. Para isso a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) deve acelerar o processo de marcação de terras de modo que todos os lados envolvidos sejam favorecidos, proibindo sua revogação e o colocando como prioridade nos processos judiciais. Ademais, é essencial que o Ministério da Educação e da Cultura promova manifestações étnicas dessa população em escolas e adote no currículo comum a história e os costumes deles para quebrar os paradigmas a cerca disso.