O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/04/2019
o livro Macunaíma, do escritor Modernista Mário de Andrade, trata o índio como anti-herói, atribuindo-lhe características humanas como a preguiça e o prazer pelas coisas terrenas. Em contrapartida, o índio no período Romancista era descrito de forma épica, como um bom selvagem, forte e corajoso. Nesse sentido, entende-se que, apesar das tentativas de se estereotipar e ou caracterizar esses povos, há uma carência no aprofundamento e atenção às questões sociais pertencentes a esses, especialmente no que tange o direito ao acesso à terra e ao pouco conhecimento dessa cultura tão importante para a formação de nossa identidade nacional.
A priori, é preciso destacar que a partir da Constituição de 1988, foi legitimado o direito ás terras que os índios tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e respeitar todos os seus bens. Apesar disso, tem havido uma morosidade na demarcação dessas áreas, influenciado sobretudo pela Bancada ruralista no Congresso, que atua em favor do agronegócio e do desenvolvimento econômico, que muitas vezes é realizado de maneira insustentável e por meios de aparatos controversos. Dessa forma, populações indígenas têm sido dizimadas nos conflitos por terra, em detrimento do que já foi assegurado por lei.
Outrossim, verifica-se que, apesar de toda exaltação ao aborígene no período indianista, pouco se conhece sobre a cultura e representação desse povo. No Brasil, no dia 19 de Setembro, é comemorado de maneira simbólica o dia do Índio, uma maneira de ressignificar a importância desse grupo. No entanto, a falta de representação no Congresso, faz com que muitas vezes suas vozes sejam emudecidas e políticas públicas favoráveis não sejam efetivadas. Além disso, a estereotipação fomenta a falsa ideia de que esse é um povo não civilizado, reforçando a visão etnocêntrica propagada pelos jesuítas na colonização do país - num processo conhecido como Aculturação. Assim a sociedade, cada vez mais se alija dessa responsabilidade, corroborando com o que dizia o Alemão Albert Einsten: “Tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. "
Logo, infere-se que urge a necessidade de valorização e participação do índio no cenário atual. É imprescindível que o Governo Federal em consonância com a fundação Nacional do Índio (FUNAI ) , introduzam políticas púbicas que auxiliem o acesso de indígenas á frente das tomadas de decisões relevantes no país, por meio do acesso a cargos nas esferas governamentais e acadêmicas, para acabar com a invisibilidade social desse grupo e oportunizar que suas vozes ecoem. Ademais, é imperioso que a União - órgão responsável por atuar na demarcação das terras, mantenha isonomia nas questões concernentes aos direitos dos índios, promovendo a fiscalização das terras e o respeito.