O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/04/2019
Muitos historiadores consideram o período colonial brasileiro um “encontro de culturas”. Entretanto, a colonização portuguesa foi marcada por a intolerância a cultura e religião dos nativos, juntamente com a submissão e o extermínio de milhões de indígenas. Desde então, o olhar de superioridade europeu é marcado e perpetuado no Brasil, decorrente principalmente da negligência dos direitos indígenas pelo o governo e sociedade.
Em primeiro plano, verifica-se um governo omisso à asseguração dos direitos indígenas. Segundo a Comissão Pastoral de Terras, em 2013 ocorreram 34 assassinatos por conflito de terras, dentre eles 15 foram índios. Ainda no século XXI, o povo indígena morre na luta para garantir direitos que são seus de origem, por exemplo, os povos indígenas Guarani e Kaiowá, localizados no Mato Grosso do Sul, resistem e lutam diariamente contra a pressão de fazendeiros locais e pelo seu direito à terra. Fato como esse é de pouca visibilidade midiática, passando despercebido ao olhar de boa parte da sociedade, não tendo assim pleno conhecimento do impacto de fatores como a demarcação das terras indígenas.
Ademais, cabe ressaltar que na literatura, como na obra “O Guarani” de José de Alencar, o índio é descrito como um bom selvagem, corajoso, um forte guerreiro e um líder, sendo idealizado. Desde a colonização, é imposto aos povos nativos uma série de esteriótipos quanto a sua cultura e modo de vida. Em uma sociedade pós-moderna e individualista, é perceptível que o cidadão brasileiro não veem buscando enxergar o índio além do que é idealizado, sendo lembrado somente no dia dezenove de Abril, “o dia do índio”, que é meramente uma data simbólica e representativa.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. A escola, local de formação intelectual e pessoal dos indivíduos, assume um importante papel na desconstrução quanto à visão estereotipada dos povos indígenas. É necessário que o Ministério da Educação torne obrigatório a realização de palestras interativas no ambiente escolar visando a valorização da cultura indígena, em que profissionais da história e da sociologia fundamentem valores, objetos, palavras e inúmeros outros aspectos culturais indígenas, que mesmo presentes no dia-a-dia passam despercebidos. Atrelado a isso, é fundamental que o governo aprimore a fiscalização das terras indígenas e que a mídia promova a visibilidade da verdadeira e rica cultura indígena, imenso patrimônio nacional. Assim, mais de quinhentos anos depois, acontecerá o verdadeiro encontro de culturas.