O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/04/2019
“Guerra improvável, paz impossível”, Raymond Aaron disse e resumiu a Guerra Fria. Porém, em um contexto sócio-histórico onde a cultura do índio até hoje inferiorizada e o Estado brasileiro os massacraram durante séculos, é claro que o sociólogo francês resumiu também a questão do índio brasileiro. Isso, no entanto, levanta a seguinte pergunta: como o Brasil, um país que já teve uma das maiores populações indígenas do mundo, pode ainda ter em mente uma figura tão simplista dos povos indígenas?
Com base em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), isso acontece porque ainda é repassado nas escolas a imagem do índio como algo resumido a um único grupo, com uma única forma de agir e de se expressar. Por conseguinte, a população brasileira não têm consciência que a figura do índio é plural e diversa, estando presente, inclusive, no próprio sangue.
Nessa perspectiva, o Estado mantém-se incólume em meio um genocídio indígena que não parou nos livros de história e no senso comum, mas que persiste até os dias de hoje e sustenta-se na ignorância da própria sociedade. Assim, a população indígena, além de sofrer para manter sua identidade, lida também com um Estado ausente para quem sempre foi dono da terra.
Dessa forma, a paz continuará impossível enquanto o Estado e a sociedade não passarem a olhar para os donos da terra. É preciso, portanto, que o Ministério dos Direitos Humanos haja como um órgão conciliador entre o Estado e a população indígena através da demarcação de terras e da maior fiscalização da Fundação Nacional dos Índios(FUNAI) para que os direitos dos índios sejam preservados. Ademais, sociedade deve cobrar uma educação acultural e inclusiva, onde o idioma e a cultura indígena sejam presentes, sendo só assim que a paz finalmente será possível.