O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 17/06/2019

No livro Iracema, de José de Alencar, os indígenas são caracterizados como essenciais para a construção da nação brasileira. Entretanto, é incontrovertível que, fora da literatura, esse cenário dá espaço a uma sociedade que caracteriza os nativos apenas como uma parte incivilizada da população. Nesse sentido, a cultura brasileira fomenta a exacerbada desvalorização desses indivíduos, provocando sequelas psico-sociais que urgem serem combatidas.

É válido salientar, antes de tudo, a gênese cultural do país baseada no eurocentrismo. Sob esse aspecto, a desvalorização indígena encontra raízes históricas, haja vista o processo civilizatório promovido pelos portugueses que consideravam os índios como selvagens por não terem a mesma organização social europeia. Assim, de maneira análoga à Ação social tradicional do sociólogo Max weber, os valores culturais são solidificados e reproduzidos ao longo dos anos e, dessa forma, a visão etnocêntrica europeia permanece na sociedade brasileira ainda como uma herança da colonização. Prova disso é a imposição do Português como língua oficial do país e as linguagens indígenas sendo classificadas apenas como dialetos.

É necessário analisar, ainda, a violência físico-social sofrida pelos nativos. Por esse ângulo, os indígenas sofrem constantes pressões de empreitadas para a construção de mega projetos, como a Usina de Belo Monte e Xingú; alem dos conflitos de posse territorial com fazendeiros, a exemplo do Mapitoba, região em que disputas territoriais levam a dezenas de mortes aborígines.Diante dessa lógica, os conflitos de campo com latifundiários e as falhas governamentais para com a demarcação de terras, atuam como cofatores para a persistência da desvalorização da cultura indígena. Nesse viés, a inércia legislativa, além de chocar-se com os direitos promulgados pela Constituição de 1988- que concedia a equidade e o direito dos índios sobre a terra, vai de encontro, também, com a preservação do patrimônio cultural imaterial brasileiro, tendo em vista a massiva violência sobre esses indivíduos, que pode exterminar uma das culturas formadoras do país.

Infere-se, portanto, que a desvalorização indígena é causada, sobretudo, pelo etnocentrismo, aliado aos interesses financeiros do Estado. Logo, urge a atuação das escolas e do Ministério da Educação, que terão o papel de fragmentar o etnocentrismo e, para isso, deve promover  palestras com índios, em que eles mostrarão suas culturas e a importância de valoriza-la como patrimônio cultural, no intuito de  promover sua valorização. Ademais, cabe ao Ministério Público o financiamento de órgãos como a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), que é responsável por proteger os indígenas, a fim de concede-los os direitos promulgados pela Constituição de 1988.