O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 13/07/2019
No romance “O Guarani”, de José de Alencar, o índio Peri é descrito como um bom selvagem, forte e guerreiro. Fora da ficção, analogamente, o indígena brasileiro entra em foco na sociedade contemporânea; contudo, mais relacionado aos problemas que o afetam do que a uma idealização romântica como do século XIX. Nesse sentido, a causa principal dos prejuízos a esses indivíduos está na exclusão espacial e social, haja vista que as tomadas de terra corroboram para o cenário de desrespeito atual.
Em primeiro lugar, a demarcação de terras dos índios influenciam positivamente na preservação do patrimônio cultural brasileiro devido ao apoio a multiculturalidade. Entretanto, problemáticas são as ações de alguns governantes, que buscam instaurar leis que excluiriam esse direito e ajudariam fazendeiros - preocupados, em grande parte, somente com expansão de fronteiras agrícolas - o que acarretaria em maior número de indígenas mortos em guerra. Sendo assim, o Estado brasileiro precisa utilizar de alternativas que combatam esse retrocesso sócio-cultural, em acordo ao que afirma o filósofo positivista Auguste Comte: “A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas”.
Ademais, além do desrespeito espacial, evidencia-se no Brasil uma desvalorização atrelada a certos pensamentos preconceituosos. Isso acontece, principalmente, porque o modo de vida das várias tribos indígenas, a língua materna, a cultura, de modo geral, pouco são estudadas em ambiente escolar. Diante desse cenário, a sociedade algumas vezes coloca esse povo à margem de seus costumes, sob um olhar de diferenciação etnocêntrica. Nesse contexto, encaixa-se facilmente o que diz o filósofo ateniense Sócrates: “os erros são consequência da ignorância humana”. Desse modo, para que essa mentalidade fique no passado, é imprescindível que o estudo correto sobre a sociedade indígena esteja presente para que, com isso, a valorização desse povo seja alcançada pelas gerações que estão por vim.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para que se mude essa realidade de desrespeitos. Para isso, urge que a FUNAI, em aliança ao Ministério Publico, por meio de verbas governamentais, agilize o processo de demarcação de terras e fiscalize com mais atenção, com o objetivo de combater a tomada de terras. Além disso, cabe ao Poder Legislativo, através de novas leis, aumentar as penas a quem invade esse espaço. Quem sabe assim, o índio não seja idealizado como no passado, mas sim valorizado como precursores da identidade nacional brasileira do presente.