O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 01/04/2020
Nas cartas informativas de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, foram retratados a perspectiva europeia acerca do descobrimento do “Novo Mundo” e a existência de povos nativos, futuros subordinados à metrópole portuguesa. Nesse viés, a condição dos índios no Brasil, na contemporaneidade, ainda possui raízes de subalternidade, oriundas do século XV. Evidencia-se, que não só a submissão indígena desde a colonização, mas também a visão ancestral inferiorizadora corroboram para a permanência desse cenário negativo no século XXI.
A priori, a exploração e dominação portuguesa sob os índios perpetuam até o hodierno, por meio dos grandes latifundiários e empresários. Nesse contexto, é mister destacar que esses são detentores de grande parte das terras indígenas, a fim de utilizá-las para o agronegócio e para a mineração. Confirma-se, então, esse fato de acordo com o site “Agência Pública”, em que 34% das terras estão sob domínio desses. Depreende-se, logo, que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), órgão responsável pela proteção indígena, possui lacunas em exercer seu papel, como a improdutiva demarcação de terras dos índios, dado que esses permanecem subordinados a controles que visam a economia e protelam seus direitos.
De maneira análoga, a visão ancestral inferiorizadora que a sociedade possui dos índios torna-a intolerante. Assim, verifica-se conforme a 1º Geração do Romantismo brasileiro, século XIX, o sentimento nacionalista, despertado através de histórias que continham como tem central o heroísmo dos índios. Sob esse ângulo, a obra “Iracema”, de José de Alencar, narra a submissão deles a cultura europeia por meio da personagem principal. De fato, observa-se, então, sequelas potencialmente permanentes no país, advindas dessa visão eurocêntrica, como uma ínfima parcela de indígenas em universidades, a ininterrupta imposição da cultura de origem portuguesa e a exigência de comportamentos ocidentais. Dessa forma, ações urgem à desconstrução desse quadro obsoleto na sociedade contemporânea.
Torna-se visível, portanto, que a submissão indígena e a aculturação sofridas, desvelam a problemática conservada no hodierno. Faz-se imprescindível, logo, que o Governo Federal crie postos da FUNAI próximos as demarcações das terras indígenas, para efetivar a fiscalização da ocupação dessas, a fim de não permitir que novas empresas apossem-se. É necessário também, que as escolas, por meio de aulas de história, obras literárias e palestras de índios, ministrem a história de dominação e aculturação sofrida pelos índios, com fito de erradicar os preconceitos aos indígenas. Com tais implementações, a subordinação dos povos nativos poderá ficar clausurada nos séculos passados.