O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 25/04/2020
A colonização do Brasil foi caracterizada pela imposição da cultura europeia aos índios. Proibidos de falar a própria língua, punidos por praticar rituais e cerimônias característicos de cada povo e catequizados por padres jesuítas, sofreram um processo de aculturação. São necessárias medidas para combater práticas de discriminação e violência contra indígenas, reflexos desses acontecimentos que ainda permeiam suas comunidades. .
Em primeiro lugar, constata-se que a influência do eurocentrismo contribuiu para a formação de preconceitos étnicos. Segundo os ideais de Agnes Heller, “crer em preconceitos é cômodo porque nos protege de conflitos que confirmam nossas ações anteriores”, ou seja, preconceitos, frutos da reprodução dos valores impostos socialmente, contribuem para inibir atitudes do passado que solidificam a atual situação da sociedade. Essa problemática assume contornos específicos no Brasil, onde, a inferiorização da cultura indígena, uma das consequências do etnocentrismo europeu, dificulta a inserção no mercado de trabalho, a garantia de seus direitos e o acesso à educação. Nesse sentido, as possíveis causas dos atuais obstáculos vivenciados pelos índios são ações anteriores, como a imposição realizada pelos europeus, de acordo com Agnes.
Em segundo lugar, é possível constatar que a Constituição de 1988 assegura que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente. No entanto, o processo de demarcação dessas áreas é lento e burocrático. Segundo dados da Fundação Nacional do Índio, apenas 8% das 426 terras indígenas no Brasil estão regularizadas. Logo, essa pequena porcentagem coincide com a ação frequente de mineradoras que realizam a extração ilegal dos recursos naturais, o avanço da fronteira agrícola e a criação de hidrelétricas em locais destinados aos povos indígenas. Além disso, as práticas de violência contra essas comunidades apresentam um crescimento, segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário, o número de assassinatos de indígenas cresceu 20% no Brasil em 2018. Nesse sentido, essa situação precisa ser revertida.
Portanto, urge que os direitos indígenas sejam garantidos na prática efetiva. Cabe à FUNAI essa função, por intermédio da criação de programas de inclusão do índio nas escolas e no mercado de trabalho, assim como, a fiscalização das terras demarcadas e em processo de demarcação; com o auxílio do Exército Brasileiro para impedir a invasão, a exploração e a degradação desses locais. Essas medidas caso feitas em conjunto podem diminuir as dificuldades com as quais as populações indígenas convivem.