O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 26/08/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que os indígenas enfrentam diversos desafios na atual sociedade brasileira. Assim, seja pela visão estereotipada, seja pela disputa de terras que desafiam a continuidade dos costumes indígenas no país, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro plano, percebe-se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, como improdutivos e como empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.

Em segundo plano, ao longo dos séculos, os territórios habitados pelos índios foram tomados e destruídos para o desenvolvimento do país. Grande parte da população indígena do Brasil foi dizimada, estima-se que no Brasil existia mais de 8 milhões de índios e hoje são pouco menos de 900 mil. O grande potencial econômico presente nesses territórios e o desrespeito da sociedade diante dos índios foram responsáveis por causar incontáveis problemas para a vida desses habitantes brasileiros.

Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira. Tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo. Espera-se que, dessa forma, a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.