O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 28/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os povos indígenas torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse cenário, seja pela discriminação da raça imposta pela visão eurocêntrica, seja pela extração mineral nos solos desse povo o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A princípio, percebe-se que o legado histórico em relação à visão estereotipada do indígena é um dos motivos que fazem o problema perdurar. Nesse sentido, Cazuza, cantor brasileiro que marcou a nação com letras de alta representatividade social, preocupou-se com a reincidência de questões sociais em sua música “O tempo não para” com o trecho “eu vejo o futuro repetir o passado”. Dessa forma, a crítica do cantor se faz necessária na atualidade, principalmente em relação a essa questão, pois ainda hoje uma parte da população vê os índios como preguiçosos, improdutivos, inferiores e como empecilho para o desenvolvimento da nação. É incabível, portanto, que um país signatário dos direitos humanos permita que sua sociedade continue a sofrer as consequências de tal legado.
Em segundo plano, há uma grande preocupação dos índios com possíveis impactos socioambientais que as atividades de extração causariam nas aldeias. Isso ocorre porque, muitas vezes, as empresas lavram de recursos minerais, como ouro e minério de ferro, e de hidrocarbonetos e o aproveitamento hídrico de rios para geração de energia elétrica nas reservas indígenas sem a autorização do congresso nacional. Em alguns casos, comunidades indígenas entram em uma briga persistente com os mineradores por conta dos efeitos que as retiradas desses recursos causam á natureza. Dessa forma, a imprudência dos empresários dificulta a consolidação de um direito que é reconhecido pela Constituição Federal.
Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto social nas escolas e universidades, deve criar exposições históricas e culturais, que façam eventos explicativos a respeito da contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira, tais eventos devem ser abertos a toda população, com oficinas, exposições, palestras e curta-metragem que apresentem para a sociedade a importância desse povo, o Governo deve criar também um fundo de desenvolvimento étnico para os índios, tomando por base recursos da exploração mineral. Espera-se que, dessa forma, a população brasileira possa romper com essa visão preconceituosa e passe a valorizar a diversidade cultural e étnico-racial.